Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Corpus Christi leva milhares de turistas a Santana de Parnaíba; outras cidades retomam tradição

Centro histórico da cidade recebeu turistas para apreciar a arte dos tapetes coloridos; celebrações voltam a acontecer após dois anos de pandemia

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2022 | 15h52

SOROCABA - Milhares de turistas lotaram o centro histórico de Santana de Parnaíba, nesta quinta-feira, para apreciar a arte dos tapetes coloridos cobrindo 850 metros de ruas. A expectativa da prefeitura era de que 30 mil pessoas fossem à cidade para a retomada da tradição, suspensa nos dois últimos anos, devido à pandemia de covid-19. De manhã, ao menos mil pessoas trabalharam na confecção dos tapetes, usando serragem colorida, borra de café e outros materiais.

O artista plástico S. Maia, nome artístico do desenhista e pintor Alcides Soares Maia, autor dos 60 desenhos principais, acompanhou os trabalhos desde às 5 horas da manhã. "Foi gratificante. Aos poucos, as ruas foram se enchendo de cores e às 11 horas estava tudo pronto, à espera da procissão", contou. Maia cria os desenhos principais desde o final dos anos 1990, sempre de acordo com a liturgia da Igreja Católica.

Às 15 horas, a procissão com o Santíssimo Sacramento iniciava o percurso pelas ruas do centro histórico. Um grande número de fiéis já se aglomeravam em frente à Igreja Matriz de Santa Ana, onde seria celebrada uma missa campal. "Percebemos um entusiasmo grande do público com a volta da festividade nas ruas, que não tivemos no ano passado e em 2020, por causa da pandemia", disse o artista.

Em Itu, no interior paulista, famílias inteiras sentaram-se no asfalto para encher de cores os desenhos do tapete que cobriu toda a extensão do centro histórico, entre o Largo do Carmo e a Praça Padre Miguel. As crianças ajudavam a espalhar serragem e areia colorida sobre os esboços marcados no asfalto. Às 15 horas, teve início a missa solene na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária.

Cerca de 500 voluntários acordaram de madrugada para montar os tapetes para a procissão de Corpus Christi em Matão, uma das tradições mais conhecidas do estado e que não era realizada há dois anos por conta da pandemia. Foram usadas 70 toneladas de materiais.

Em Jundiaí, os fiéis da paróquia São João Bosco produziram 400 metros de tapetes no bairro Eloy Chaves. Em Itapetininga, os fiéis voltaram a enfeitar as ruas com os tapetes de Corpus Christi, com um tema diferente: "pandemia, saúde, paz e Sagrada Eucaristia". Por isso, os tapetes foram decorados com fotos dos profissionais de saúde da cidade que trabalham diariamente na luta contra o coronavírus.

Já em São Manuel, as celebrações de Corpus Christi este ano incluíram aparelhos que garantem a inclusão de pessoas cegas. Pela primeira vez, a estrutura do evento contou com totens que fazem a descrição dos eventos em braile e em áudio, permitindo a participação de pessoas com deficiência visual nas celebrações.

Em Campinas, os fiéis se reuniram na Basílica do Carmo, no centro, para fazer um tapete de 50 m de comprimento. Foi a primeira vez que a basílica participou da tradição. A confecção dos enfeites coloridos foi retomada também em São Luís do Paraitinga, Santos e Praia Grande.

Em Ouro Preto, cidade histórica de Minas Gerais, a paróquia de Cristo Rei realizou a missa com procissão às 9 horas da manhã, cumprindo a tradição. Centenas de pessoas acompanharam o cortejo festivo que passou sobre as ruas enfeitadas com tapetes coloridos. Na Basílica Nossa Senhora do Pilar, a celebração da missa aconteceu às 7 horas, quando algumas ruas ainda estavam sendo enfeitadas com a ajuda de turistas. A procissão com o Santíssimo Sacramento seguiu até a igreja de Nossa Senhora das Mercês e Perdões, onde aconteceu a bênção do Santíssimo.

Em Belo Horizonte, a arquidiocese escolheu a temática "Fome e Eucaristia" para as celebrações de Corpus Christi. Na Catedral Cristo Rei, ao lado dos tapetes coloridos, foram reservados espaços para a colocação de alimentos, cestas básicas e donativos que serão destinados às famílias mais pobres da capital mineira. 

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