Corregedor é exonerado por elogiar Hitler

Nomeado há duas semanas para a Corregedoria-Geral Unificada dasPolícias Civil e Militar, o coronel João Carlos Rodrigues Ferreira foiexonerado na última sexta-feira, após citar Adolph Hitler como ?exemplo de grande líder? durante a primeira reunião de trabalho na secretaria estadual de Direitos Humanos, de acordo com o relato de pessoas que participaram do encontro. O secretário da Segurança Pública, Anthony Garotinho, disse que o coronel será ?promovido?.O Estado conversou com três integrantes do governo que confirmaram a história: ?Para ser um grande líder, é preciso competência e coragem. Alguns aqui podem não concordar, mas Hitler foi um exemplo de grande líder?, disse Ferreira na reunião, realizada quarta-feira passada. A declaração causou constrangimento geral. Após o encontro, a situação do coronel na corregedoria-geral, criada para investigar policiais acusados de crimes, denúncias de tortura e supervisionar o trabalho das corregedorias internas das corporações, ficou insustentável. A reportagem apurou que o secretário estadual de Direitos Humanos, João Luís Duboc Pinaud, que ocupava interinamente a corregedoria unificada antes da nomeação de Ferreira, procurou a governadora Rosinha Matheus (PSB) e pediu a cabeça do coronel.Apesar do incidente, Ferreira, que havia sido indicado para o cargo por Garotinho, foi mantido no primeiro escalão do governo. No mesmo dia em que sua exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado, sexta-feira, a secretaria criou a Inspetoria-Geral de Polícia, cargo até então inexistente, para o qual o coronel foi nomeado pelo secretário da Segurança. No domingo, a reportagem perguntou a Garotinho se a exoneração do corregedor-geral em apenas dez dias tinha sido causada por algum problema e citou a reclamação de representantes da área de direitos humanos que estavam na reunião, mas ele negou o incidente. ?Ele foi promovido; vai ser o inspetor-geral?, disse Garotinho.O subsecretário de Segurança Pública, delegado federal MarceloItagiba, também afirmou desconhecer qualquer divergência entre Ferreira e Pinaud. ?O coronel tem o perfil para esse cargo que resolvemos criar e será responsável pelo controle efetivo de fiscalização dos batalhões e delegacias de polícia.? O secretário de Direitos Humanos não quis comentar o caso. Disse apenas que havia ?incompatibilidades? entre os dois. Ferreira foi procurado pela reportagem nos últimos quatro dias, mas a assessoria de imprensa da secretaria da Segurança Pública negou todosos pedidos de entrevista.

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