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Corregedor indicia 6 policiais por corrupção

Um delegado classe especial que integrou a cúpula da polícia, um ex-delegado seccional e quatro investigadores foram indiciados pela Corregedoria da Polícia Civil, sob as acusações de formação de quadrilha e de corrupção. Trata-se do primeiro dos inquéritos que ficaram parados na gestão passada da Segurança Pública a ter uma solução.Último policial a ser indiciado pela corregedoria, o delegado Roberto de Mello Annibal foi o diretor do Departamento de Polícia Judiciária (Deinter-4, responsável pela região de Bauru) e como tal integrava a cúpula da Polícia Civil na gestão de Ronaldo Marzagão na Segurança. Annibal alega inocência e se diz vítima de vingança de colegas. O novo presidente do inquérito, delegado Luiz Antonio Rezende Rebello, também indiciou o delegado Antonio Carlos Piccino Filho, que era o seccional de Jaú e se diz vítima de "um tremendo equívoco". Ambos receberiam propina da máfia dos caça-níqueis.A Corregedoria colheu o depoimento de três delegados e de três investigadores, que contaram que os acusados deram ordens para que os caça-níqueis não fossem mais apreendidos, pelo menos os que pertenciam à máfia que pagava propina. Quem desobedecia era afastado, ficava sem viatura ou tinha a carreira prejudicada. Policiais de Bariri tiveram de pedir, às escondidas, ajuda ao Ministério Público Estadual. A promotoria fez então um ofício, pedindo que as máquinas fossem apreendidas, e assim os policiais honestos puderam trabalhar sem que fossem punidos.Somente após a delegada Maria Inês Trefiglio Valente assumir a Corregedoria, em abril, é que o caso de Bauru, como é conhecido, andou rapidamente. O inquérito deve ser relatado na próxima semana, com os indiciamentos e as novas provas. A Corregedoria havia recebido a denúncia contra os policiais em janeiro de 2008. O autor da denúncia foi o delegado Roberto Fernandes.Segundo ele, nada foi feito até o fim de 2008 - só então a corregedoria abriu inquérito. Enquanto isso, Fernandes foi afastado e perseguido por superiores. Em março deste ano, o suposto esquema foi alvo de operação da PF, que apurava o contrabando de peças para os caça-níquel. Trinta e três dos 52 réus tiveram a prisão decretada pela Justiça Federal. Faltava, no entanto, apurar os crimes estaduais.Além dos indiciamentos, os policiais também terão de enfrentar uma ação civil de improbidade administrativa proposta pelo Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Bauru. Nessa ação são acusados três delegados, sete investigadores, um PM e oito advogados e comerciantes. "Cometeram atos de improbidade que importaram em enriquecimento ilícito, na medida em que auferiram vantagens financeiras das organizações criminosas que distribuíam e exploravam caça-níqueis."

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

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