Corregedoria apura denúncias

Soldado relatou ao ''''Estado'''' encenações de assaltos

O Estadao de S.Paulo

25 Setembro 2007 | 00h00

O comandante da Polícia Militar, coronel Roberto Antonio Diniz, informou que a Corregedoria da PM já investigava as denúncias relatadas pelo soldado P., publicadas anteontem pelo Estado, de encenação de tiroteios, roubos e até ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) por homens das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, a Rota - tropa de elite da polícia -, para camuflar assassinatos. ''''São casos que são alvo de Inquérito Policial Militar (IPM).'''' Segundo Diniz, em um dos casos os suspeitos já foram denunciados pelo Ministério Público Militar e estão respondendo a processo perante a Auditoria Militar. ''''Já há denúncia contra eles'''', disse o comandante, sem citar nomes, patentes ou divulgar quantos policiais são réus nesse processo. O Estado revelou na edição de domingo algumas das ações desses policiais, narradas pelo soldado P., que integra há mais de cinco anos os quadros da Rota, unidade do Primeiro Batalhão de Policiamento de Choque da PM. P. detalha vários episódios armados pelos colegas, muitos com a participação de oficiais, alguns com ordens de superiores, garantia de impunidade e até congratulações dos comandantes. No relato, P. conta a reação da temida Rota aos ataques do PCC, iniciados em 12 de maio de 2006. ''''O oficial disse que era preciso dar uma resposta. No sábado (13 de maio) foram 9 (mortos). No domingo todo mundo entrou em forma de novo. O oficial parabenizou o trabalho feito, falou que precisava que se desse continuidade, que a tropa tinha entendido a mensagem, que precisava repetir a dose. Aí teve 16 (mortos). Na segunda, disse para maneirar um pouco e aí teve 8... Aí, na terça, com o pessoal em forma, ele (oficial) chegou e disse: ''''Deu, tá bom''''.'''' Diniz afirmou que as denúncias serão analisadas pela corregedoria e, se forem ''''informações novas e úteis, serão incluídas nos autos''''. ''''Inclusive seria interessante se conseguíssemos ter a identidade da fonte para que pudéssemos ter maiores condições de comprovarmos a denúncia.'''' O cabo Wilson de Moraes, presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM, considerou as histórias contadas por P. como casos isolados. ''''Se existe (execuções) é com um ou outro caso, porque a maioria dos policiais da Rota não tem conhecimento desse tipo de ação. Hoje, um tapa na orelha de um suspeito e o policial já está sendo demitido.''''

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