FABIO MOTTA/ESTADAO
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Corregedoria da PM abre inquérito para investigar motim no Rio

Pelo menos três policiais estão sendo investigados por supostamente terem coordenado os piquetes na porta dos batalhões

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2017 | 20h23

RIO - A Corregedoria da Polícia Militar abriu inquérito para investigar policiais militares pelo movimento de famílias que atrapalhou o policiamento no Rio entre 10 e 16 de fevereiro. Pelo menos três policiais estão sendo investigados por supostamente terem coordenado os piquetes na porta dos batalhões. Eles podem responder pelo crime de motim, cuja pena é de 4 a 8 anos de prisão. 

A pedido da  1ª Promotoria de Justiça, que atua junto com a Auditoria Militar, a juíza Ana Paula Monte Figueiredo Penna Barros autorizou o mandado de busca e apreensão de telefones celulares e documentos que comprovem a organização do movimento. E também a quebra do sigilo dos dados dos aparelhos - agenda telefônica, conversas de aplicativos como WhatsApp e Telegram . Os mandados foram cumpridos nesta quinta-feira, 23. A princípio, nenhuma mulher de policial está  sob investigação.

O movimento no Rio foi inspirado na paralisação da PM do Espírito Santo. Mas ao contrário do que ocorreu no Estado vizinho, o policiamento no Rio de Janeiro, mesmo prejudicado, não chegou a ser interrompido. O comando da corporação criou estratégias para driblar os piquetes na porta dos batalhões: policiais assumiram serviço nos postos avançados, muitas vezes sem fardas, que eram entregues posteriormente; viaturas foram estacionadas dentro de estádio e até mesmo nas garagens de shoppings; tropas foram transferidas de helicóptero.  

No Espírito Santo, as mulheres dos policiais não sofreram agressões, mas no Rio, houve reações de oficiais, e ocorreram confrontos entre policiais e manifestantes. No movimento fluminense, as mulheres protestaram pelo pagamento do salário e décimo-terceiro atrasados, e também pelo pagamento do Regime Adicional de Serviço, o RAS, como o "bico oficial", em que policiais trabalham nas horas vagas.

Nesta quinta-feira, as mulheres de policiais voltaram a trocar mensagens nos grupos de WhatsApp usados para organizar o movimento. "Gente, a Corregedoria da PM está com mandado de busca e apreensão de celulares para coletar informações em relação à manifestação das esposas, para punir nossos guerreiros envolvidos. Fiquem atentas. Apaguem todas as fotos que associem vocês à organização", escreveu uma delas.                      

 

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