Corregedoria da PM investiga morte de menor

A Corregedoria da Polícia Militar investiga a morte do menino Wallace da Costa Pereira, de 11 anos, morto com um tiro nas costas pelo soldado da Polícia Militar Diogo da Silva Freire Cunha, de 19 anos, na Lapa, nesta terça-feira à tarde.O delegado Nerval Goulart, que deu voz de prisão ao policial, disse que ele está na corporação há um ano e só foi para o trabalho na rua há um mês. Goulart chamou o PM de "louco" e "despreparado".O crime aconteceu às 17 horas, na frente da Fundição Progresso.Wallace, que vivia na rua com a mãe e os irmãos, ia comprar leite quando foi atingido, segundo testemunhas. O delegado disse que, em conversa informal, o soldado confessou que disparou contra o menor porque ele correu ao receber ordem para ficar parado.Já no depoimento oficial, o PM disse que não sabe o que fez e que estava perturbado. "Na cabeça do soldado, ele tinha o direito de atirar porque o garoto não parou. Ele disse que não tinha a intenção de matar, mas quem não quer matar atira para o alto, não nas costas. Ele é um louco despreparado", disse o delegado.Cunha chegou à delegacia dizendo que Wallace havia sido atingido por disparos feitos por homens que passaram num Gol branco. Pouco depois, confessou o crime. Ele foi autuado por homicídio qualificado, por motivo fútil e com recurso que torna impossível a defesa da vítima. O crime é considerado hediondo. Cunha está preso no 5º Batalhão da PM.Dois representantes da Corregedoria da PM procuraram nesta quarta-feira as testemunhas para recolher as informações. O coronel Sidnei Coutinho, comandante do 13º BPM, onde o soldado é lotado, considerou o episódio uma "fatalidade". "O que passou pela cabeça dele naquele momento só Deus sabe. É uma situação trágica para todos nós." Segundo Coutinho, Cunha tinha a ficha limpa.A mãe do garoto, a desempregada Sandra Lúcia Silva de Souza, viu quando o soldado disparou. Foram dois tiros, mas só o segundo o atingiu. Sandra vive nas ruas com os oito filhos. Ela disse que Cunha matou o garoto para se vingar dela. "Ele pediu arrego (propina), achando que eu vendia drogas." Sandra disse ainda que havia dado ao filho R$ 2, conseguido com uma freira, para que ele comprasse leite. Nesta quarta, Sandra tentava conseguir dinheiro para enterrar o menino.

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