Corregedoria investiga morte de policiais

As investigações para apurar o quê realmente ocorreu no flat L´Etoile Residence, em Alphaville, na noite de quarta-feira, durante operação policial que resultou na morte de dois investigadores e ferimentos em outros dois, durante a fuga do seqüestrador Fernando Dutra Pinto, já foram oficialmente iniciadas pela Corregedoria da Polícia Civil, informou a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado de Segurança Pública. O corregedor da Polícia Civil, Rui Stanislau, reconhece que a maneira como morreram os investigadores Tamotsu Tamaki e Marcos Amorim Bezerra, do 91º Distrito Policial, quando tentavam prender o seqüestrador da filha de Silvo Santos, está cercada de contradições. "As oitivas já começaram e instauramos a sindicância, inclusive, com base nas informações veiculadas pela imprensa", informou Stanislau. De acordo com ele, "ainda há muitos pontos obscuros" nas informações. "Uma falha realmente ocorreu na operação, e queremos saber qual foi a verdadeira natureza desta falha", disse. O corregedor afirma que pediu "velocidade" nas apurações e nomeou dois delegados da Divisão de Sindicâncias Administrativas para colher depoimentos das testemunhas. "Vamos ouvir todos os envolvidos direta e indiretamente: delegados, investigadores, funcionários do flat e o próprio Fernando", disse ele. As contradições que envolvem a operação aumentaram com o depoimento não oficial do investigador Fernando de Nardi, ferido no flat. Nardi afirmou que ele e os dois policiais mortos haviam travado luta corporal com o seqüestrador, no corredor do flat, e haviam sido derrubados. Isso teria dado tempo para que Fernando sacasse a arma e executasse os dois investigadores. Na primeira versão, montada a partir de depoimentos de funcionários do flat, a história seria diferente. Tamaki teria subido no elevador junto com Fernando e, provavelmente, fuzilado ali dentro depois que o seqüestrador desconfiou que ele era um policial. Familiares de Tamaki confirmam ter recebido laudo do Instituto Médico Legal (IML) que aponta que o investigador morreu depois de ter recebido nove tiros nas costas. A versão do confronto entre os policiais e o seqüestrador também causou surpresa. Bezerra, o outro investigador morto, era faixa preta 3º dan de hapki-do e tinha, segundo seu mestre de artes marciais Song Un Kim, capacidade para imobilizar facilmente qualquer adversário. Nardi sustentou, ainda, que chegou a trocar tiros frontalmente com o seqüestrador, depois que seus colegas caíram. Mas Fernando, no exame de corpo de delito, só apresentava um tiro nos pés e outro nas nádegas. Um dos principais pontos da investigação é a forma isolada como os policiais tentaram agir. De acordo com funcionários do flat, os investigadores haviam encontrado as armas e os quase R$ 500 mil escondidos debaixo da cama do apartamento alugado por Fernando. Mesmo assim, montaram guarda no flat durante horas, esperando a volta do seqüestrador que saíra para fazer compras, e não avisaram a Delegacia Anti-Seqüestro (Deas), que tinha a responsabilidade pelo caso. "Queremos saber porque eles não comunicaram o Deas e nem pediram reforços", afirmou Stanislau. "Se a sindicância apontar a ocorrência de falha funcional, será proposta a devida punição." Fonte da Polícia Civil, experimentada em ações do gênero, apontou para Agência Estado os erros, considerados primários, que teriam sido cometidos pelos os envolvidos na operação. "Eles não poderiam ter subido no elevador com o seqüestrador e nem tentar a abordagem dentro do flat. Isso é básico, pois poderia ocorrer o imprevisto de encontrarem outros hóspedes por ali. Fernando teria que ser abordado na entrada ou na saída", diz a fonte. "Os investigadores já haviam encontrado o dinheiro e as armas e teriam que pedir reforços: aquela seria uma operação para, pelo menos, oito policiais experientes." O delegado do 91º DP, Armando Roberto Bélio, foi procurado pela reportagem durante toda a tarde de hoje. Na delegacia, informaram que ele estava fora.

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