Corregedoria pedirá para investigar banda podre das polícias

O diretor da Corregedoria Geral Unificada, Aldney Zacharias Peixoto, vai pedir ao procurador-geral do Estado, José Muiñoz Piñeiro Filho, que mantenha um representante da corregedoria na comissão que vai voltar a investigar a chamada banda podre das Polícias Civil e Militar. O grupo de 27 policiais, entre eles 11 delegados e um coronel, foi denunciado pelo então subsecretário de Segurança Segurança Luiz Eduardo Soares em fevereiro de 2000 e chegou a ser investigado por uma comissão do Ministério Público Estadual (MP), mas liminares suspenderam o trabalho. Na última quarta-feira, a Justiça autorizou a retomada dos trabalhos. A comissão, que incluía integrantes do MP e das Polícias Civil e Militar, batizada de Mãos Limpas, foi dissolvida com a mudança de governo. Piñeiro Filho deve anunciar a criação de nova comissão, que pode pedir a quebra de sigilo bancário e telefônico dos investigados.O grupo é suspeito de enriquecimento ilícito. Segundo as denúncias, os policiais teriam chegado a comprar uma franquia de uma cadeia de lanchonetes. Entre os investigados está o ex-chefe de Polícia Civil, no governo Anthony Garotinho, delegado Rafik Louzada."Sei que essa é uma comissão especial, mas quero me colocar a par dos trabalhos para apurar a participação dos policiais em crimes", afirmou Zacharias, que é procurador de Justiça aposentado. Ele assumiu a Corregedoria Geral Unificada (CGU) há uma semana, com a missão de desengavetar os 746 inquéritos parados contra políciais civis, militares e bombeiros.Zacharias suspeita que tenha havido uma estratégia das corporações para atrapalhar os trabalhos da CGU. "Pode ser um simples descontrole, mas casos de indisciplina vieram parar aqui. Eles deveriam ter sido analisados pela corregedoria de cada corporação", afirmou. Entre os casos que Zacharias está investigando está a atuação de policiais militares como seguranças do traficante Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém. "Só este procedimento tem oito volumes", afirmou.

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