Correr, nadar, pedalar e suar: vida saudável com triatlo

Número de amadores praticando aumentou e academias já têm programas especiais de treinamento

Filipe Vilicic, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2010 | 16h41

Amanda Miranda, Claudio Cordiolli e Cristiane Faccin - adeptos da modalidade esportiva.

Fotos: Paulo Liebert, Valéria Gonçalvez e Sérgio Neves/AE

 
 Selo-Verao
SÃO PAULO -A nutricionista e modelo Amanda Miranda, de 26 anos, não consegue parar de correr. Nem de nadar. E nem de andar de bicicleta. "Sou tão viciada que deixo de trabalhar, de sair com amigos, de ver minha família, só para me exercitar", conta. Ela começou a praticar o triatlo, modalidade que mistura natação, maratona e ciclismo, há pouco mais de 1 ano e desde então treina intensamente, de terça a domingo, no câmpus da Universidade de São Paulo (USP) e na academia. "Chego a dedicar mais de cinco horas por dia a essa atividade", afirma Amanda. "E, mesmo quando viajo para minha casa de praia em Maresias, para onde vou quase todo fim de semana, continuo com o cronograma, nadando no mar, correndo na areia e pedalando na estrada."
 
Veja também:

Amanda começou na esteira, antes de cair na piscina ou de subir na bicicleta. "Corro desde os 15 anos na academia para manter a forma", diz. "Mas só correr começou a perder a graça. Misturar os esportes é uma forma de aumentar o desafio e combater o tédio."

 

Segundo o personal trainer Marcos Paulo Reis, dono da assessoria esportiva MPR, a maioria entra para o triatlo pelo mesmo motivo da nutricionista: enjoou de apenas correr e procura alternativas para não parar de se exercitar. "É uma forma de tornar o esporte mais interessante", explica. "Mesclar as práticas ainda traz diversas vantagens para o corpo." Reis conta que o triatlo queima cerca de 1.200 calorias por treino de 1h30 e trabalha o corpo de forma uniforme.

 

Segundo a Federação Paulista de Triatlo (SPTri), o número de praticantes amadores dessa modalidade vem aumentando. "Crescemos junto com a moda de corrida", afirma Frederico Wilche, presidente do órgão. Hoje, já há 8 mil atletas amadores no Estado - 1.800 participaram de duas ou mais competições em 2009.

 

Fotos: Paulo Liebert, Valéria Gonçalvez e Sérgio Neves/AE

 

Wilche acrescenta que o boom do triatlo começou há cerca de cinco anos, quando os corredores passaram a agregar o ciclismo e a natação a seus treinos. "Desde então, o número de praticantes aumenta no mínimo 5% ao ano", garante o presidente da SPTri. "Isso é ainda mais impressionante se levarmos em conta que esse não é um esporte para qualquer um, tanto pela exigência física quanto por ser um hobby muito caro."

 

Treino

 

Para aproveitar o crescimento, academias paulistanas e assessorias esportivas incorporaram o triatlo em suas programações. A rede Bio Ritmo, por exemplo, conta com treinamentos específicos desde 2005. "Fazemos um cronograma individualizado e preparamos alunos para campeonatos", explica o treinador Ronaldo Martinelli, coordenador do programa. "Temos tanto atividades internas, na piscina da academia, quanto externas, quando levamos os alunos para parques."

 

Além dos treinos, as academias da Fórmula ainda promovem bimestralmente aulas especiais que mesclam natação e ciclismo. Já na Reebok, há classes específicas de duatlo e treinos que misturam as três modalidades. "Um esporte puxado como esse serve como válvula de escape para a tensão diária que sofro no trabalho", conta a designer de joias Cristiane Faccin. "Ainda traz satisfação pessoal, já que deixa o corpo bem trabalhado, a mente relaxada e aumenta a autoconfiança, conforme vencemos provas e nossos limites."

 

A moda do triatlo também pegou fora da capital paulista. "Santos, por exemplo, é a cidade que mais abriga competições no Brasil", afirma o personal Marcos Paulo Reis, que tem alunos no município do litoral paulista e desde 2007 coordena uma escolinha gratuita para jovens de 12 a 16 anos na região.

 

 

Na orla, no parque e na academia - locais para praticar não faltam.

Fotos: Paulo Liebert, Valéria Gonçalvez e Sérgio Neves/AE

 

Competições

 

"O mais gratificante é acabar uma prova difícil", explica o empresário Claudio Cordiolli, adepto desde 2007. "É ótima a sensação de saber que faço algo que poucos conseguem." Ele já conseguiu, por exemplo, concluir uma prova do Ironman, o maior desafio para um desses atletas amadores: são 3,8 quilômetros de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida.

 

É claro que principiantes não começam já encarando uma competição tão dura. "As pessoas iniciam em provas bem mais curtas", explica Frederico Wilche, presidente da SPTri. "Também vale destacar que todos os praticantes precisam de um acompanhamento médico, esportivo e nutricional antes de se preparar para uma disputa ou de se jogar nos treinos."

 

Há calendários com as datas das provas nos sites da Confederação Brasileira de Triatlo e da MPR. Hoje, por exemplo, ocorre a prova Mundialito de Fast Triatlo em Santos, no bairro Ponta da Praia. A partir das 10 horas, 15 atletas de cinco países participam da disputa, que pode ser acompanhada gratuitamente pelo público e será transmitida pela tevê.

Mais conteúdo sobre:
Verão 2010 saúde corpo exercício

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.