Corrida em favor do próprio bolso

O aumento salarial dos deputados e dos senadores é prova da máxima de que a velocidade de votação no Legislativo é ajustada na medida exata do interesse pessoal dos parlamentares na aprovação dos projetos.

Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

Desta vez, a rapidez e a eficiência dos deputados foram capazes de, em 20 minutos, promover uma sessão extraordinária, aprovar o projeto e, em mais 15 minutos apenas, vencer a burocracia - que pode levar dias -, cruzar o tapete verde da Câmara em direção ao Senado para entregar o projeto à apreciação dos senadores. Na Câmara, a sessão foi iniciada sem de registro de presença. No esforço atlético para apressar a votação dos próprios salários, o mais rápido era aproveitar o registro da sessão anterior. E ali havia um único item na pauta: o reajuste salarial. Às 14h50 a sessão começou. Às 15h10, o projeto já estava aprovado e, às 15h25, o texto já estava no Senado.

No plenário do Senado, a votação levou apenas o tempo necessário para a leitura de seu texto de 12 linhas. Quando a senadora Marina Silva (PV-AC) levantou o braço para se manifestar contrariamente, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), já havia declarado aprovada a proposta. Foram apenas dois minutos. Com a pressa, os parlamentares não se deram conta de uma descortesia com a presidente eleita, Dilma Rousseff, e seus ministros. Eles tomarão posse no dia 1º de janeiro, mas o aumento vale a partir do 1º de fevereiro, quando os parlamentares assumirão. Ou seja, Dilma e seus ministros terão um mês de salário antigo.

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