Corrupção e ineficiência desiludem paulistanos

"Tenho grande aversão a Lula, porque simplesmente deu continuidade ao que já estava sendo feito", rejeita Eduardo Coen, de 35 anos, que há 5 saiu de uma multinacional para criar uma microempresa de venda de artigos para festas pela internet. "É um governo de desinformação, de projetos populistas, muito levado na brincadeira", diz Eduardo, formado em biologia. "Ele ficou com fama grande no exterior, não entendo como. É "o cara", só não se sabe do quê. Deu uma sorte danada." A proximidade de Lula com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, perturba Eduardo. "Ele não sabe o que está fazendo, é muito mal assessorado."

, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2010 | 00h00

O empresário conta que a crise do ano passado afetou os negócios, mas em dezembro seus efeitos estavam superados. Nem a condução da política econômica pelo governo Lula, porém, o entusiasma. "Fernando Henrique teve o mérito de ter estabilizado a economia. Ele arrumou a casa e o Lula pegou a coisa pronta." Eduardo votou em FHC e Serra; teria votado em Geraldo Alckmin, se não estivesse viajando. "Agora, estou numa complicação, porque não enxergo mais o PSDB como antes. Ainda acho que é mais sério do que o PT. Mas também mantém um nível alto de corrupção. Pretendo votar em Serra por eliminação. Não é um voto feliz."

Eduardo acha "uma piada" a expansão do metrô de São Paulo, um dos destaques da gestão Serra. "Para resolver o problema do trânsito, teria que ser uma obra muito maior." Ele lembra também o acidente na obra da Estação Pinheiros, em 2007. Para Eduardo, "o PSDB procura dar uma aparência de eficiência e honestidade de gestão, mas é falso". Eduardo conclui: "Eu me desapontei com a política."

Trabalhando com marketing em multinacionais de eletroeletrônicos há 10 anos, Graziela Carmezini, de 30, é testemunha da explosão de consumo das classes mais baixas sob o governo Lula, graças, sobretudo, à facilidade de crédito. Mas não se empolga. "Nunca votei nem votaria no PT", descarta Graziela, que fez publicidade e MBA em marketing. "Acho que Lula tentou continuar o governo Fernando Henrique, que é "o cara", é quem trabalhou com a inflação." Para ela, a gestão Lula "foi um governo de consumidor". Graziela admite: "Para quem trabalha com isso, é muito bom. Mas, mesmo querendo vender, penso além. Os impostos e os juros são altos. O consumidor é enganado pelo crediário."

Ela não concorda com o Bolsa Família: "Esses recursos deveriam ser investidos na educação." Graziela gostaria de votar em Marina, mas prefere um candidato capaz de derrotar Dilma. "Vou votar no Serra, mas não considero que ninguém seja bom. Governos são muito corruptos. Não acredito que tenha político confiável."

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