Corrupção manteve seqüestrador nas ruas

O seqüestrador Wanderson Nilton Paula Lima, o Andinho, só não foi preso antes por causa da corrupção policial. Até agora, três policiais civis e militares foram presos sob a acusação de participar diretamente de seu grupo.Mas as investigações das Corregedorias das Polícia Civil e Militar prosseguem para tentar identificar outros policiais que, por meio de propina, deixaram o seqüestrador mais procurado do Estado em liberdade até esta segunda-feira.Propina de R$ 200 milPoliciais que investigavam o criminoso afirmam que a última grande propina foi paga por Andinho em janeiro, quando um grupo de agentes o deteve. Os policiais receberam R$ 200 mil para libertar o bandido.Para impedir uma nova fuga ou o resgate do seqüestrador, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que Andinho será enviado a uma penitenciária de segurança máxima assim que a polícia terminar de ouvi-lo nos inquéritos dos crimes pelos quais será acusado.Policiais cúmplicesO mais recente caso de policial preso por participar da quadrilha de Andinho ocorreu nesta segunda-feira. O soldado da Polícia Militar Ronaldo Azevedo de Góes Pires era segurança do seqüestrador e foi detido em flagrante na chácara que o bando havia alugado em Itu.Andinho usava ainda dois policiais civis de Campinas para obter informações sobre as investigações que estavam sendo feitas. Um deles, o investigador Eudes Trevisan, da Delegacia Anti-Seqüestro (Deas), era o responsável por informar detalhes das finanças das vítimas de seqüestro. Assim, a quadrilha sabia exatamente quanto deveria pedir de resgate.GrampoO outro policial acusado é o também investigador Rogério Salun Dinis, do 4º Distrito Policial de Campinas. Dinis e Trevisan foram flagrados em um grampo feito com autorização judicial pela Deas de Campinas. Na época, o delegado-geral Marco Antônio Desgualdo chamou os policiais de "canalhas" e "traidores".Após a prisão de Andinho, o delegado-geral voltou a dizer que, se houver outros policiais auxiliando a quadrilha, eles também serão presos, a exemplo dos três já detidos. A polícia pretende usar as agendas apreendidas com o seqüestrador para tentar identificar outras pessoas da corporação que possam ter protegido Andinho.

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