Corte da Flórida, nos EUA, recebe 1ª ação do vôo 3054

Família do peruano Ricardo Azue, morto no acidente, move processo contra a TAM, Airbus e fabricantes das turbinas e freios do avião

Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2001 | 00h00

O primeiro pedido de ação indenizatória pelo acidente do Airbus da TAM em Congonhas foi ajuizado na corte federal da Flórida, nos Estados Unidos, pela família do peruano Ricardo Azue, funcionário do Banco Santander de Miami, que estava no Brasil a negócios. A família será representada pelos advogados Ricardo Martinez-Cid e Steven Marks, do escritório Podhurst Orseck P.A., especializado em acidentes aéreos nos Estados Unidos e na América Latina. A ação foi protocolada contra a TAM, a Airbus, a empresa israelense IAE e a norte-americana Goodrich - fabricantes das turbinas e dos freios da aeronave acidentada, respectivamente.Segundo Martinez-Cid, a indenização por danos morais e econômicos foi pedida na Flórida pelo fato de Azue ter cidadania americana e o bilhete ter sido comprado em Miami. "Assim ele está amparado pela Convenção Internacional da Aviação Civil e nos dá a opção de trazer o caso para a corte norte-americana, que dá indenizações muito maiores que as do Brasil e tem trâmite processual mais rápido", disse o advogado.Ele não estipulou os valores pedidos para a família de Azue, mas comparou o caso com o de uma indenização paga no ano passado por outro acidente aéreo, no valor de US$ 25 milhões, e com o da queda de um helicóptero Bell 407 no Brasil, que teve entre as vítimas um empresário brasileiro. "Trouxemos esse caso para a Flórida e foi feito um acordo de US$ 40 milhões", afirmou Martinez-Cid, que representa 30 famílias de vítimas do choque do Boeing da Gol com o Legacy, em setembro - todas as ações são movidas nos EUA. O advogado Leonardo Amarante, que também representa familiares de vítimas da Gol nos EUA, afirmou que ainda é cedo para traçar uma estratégia de indenizações contra a TAM. "Como havia pilotos americanos envolvidos (no acidente da Gol), ficou evidente o vínculo do caso com os Estados Unidos. Estamos estudando se entramos com ação contra a TAM no Brasil também para quem precisa de tutela antecipada, mas devemos pedir indenização à Airbus e à Goodrich nos Estados Unidos porque elas têm negócios lá", afirmou Amarante.

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