Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Corte de orçamento para UPPs põe em risco programa de pacificação no Rio

Verba aprovada para o ano que vem prevê apenas R$ 10 mil às Unidades de Polícia Pacificadora

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2017 | 01h44

RIO - Um corte significativo no orçamento das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) põe em risco o programa de pacificação de comunidades dominadas pelo tráfico de drogas no Rio. A ação, iniciada há nove anos, em dezembro de 2008, chegou a ser saudada como uma das mais importantes de segurança pública já implementadas no Brasil. Durante alguns anos, reduziu significativamente os índices de violência. O orçamento aprovado para o ano que vem prevê apenas R$ 10 mil, em meio ao colapso da segurança Estado.

“O programa chega ao fim porque não houve visão por parte do governo de ampliá-lo para uma ocupação social, conforme estava previsto desde o início”, avalia Paulo Storani, mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal Fluminense e ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope). “(O programa) limitou-se à presença policial. Bastou não ter mais recursos que a coisa toda desandou.”

O sociólogo Gláucio Soares, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), concorda. “A crise nas finanças públicas aliada ao esforço deliberado do tráfico de drogas de recuperar território foi determinante (para o fracasso das UPPs).”

A Polícia Militar do Rio confirmou que a redução orçamentária ocorreu em função da reestruturação do programa. De acordo com nota divulgada ontem, “os maiores custos para recuperar e manter as UPPs ficarão por conta dos batalhões das áreas onde estão instaladas”. Na prática, isso significa que, se o comandante do batalhão quiser, pode retirar todos os PMs da comunidade.

Num primeiro momento, o programa pareceu funcionar, reduzindo o número de crimes e a sensação de insegurança e violência na cidade. Desde o fim de 2014 e o início de 2015, o Rio mergulhou na crise econômica, os recursos começaram a escassear e as diferentes facções do tráfico de drogas voltaram a disputar o controle do território dentro das comunidades.

Com uma pausa para os Jogos Olímpicos, quando a cidade recebeu um aporte significativo de verbas federais, e o patrulhamento foi ostensivo, a violência se intensificou. Entre janeiro e outubro de 2016 e o mesmo período de 2017, houve um aumento de 7,6% nos casos de homicídios dolosos e 25,9% do número de mortes em confrontos com a Polícia. Um ano depois da Olimpíada, o efetivo da PM já é de 2 mil homens a menos - por causa de afastamentos e reformas. 

 

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