Corte de verba da varrição ameaça empregos

Pelo menos 1.500 funcionários, de um total de 8.500 divididos entre cinco empresas, que trabalham na varrição de ruas e na retirada de entulho já receberam aviso prévio depois que o prefeito Gilberto Kassab anunciou corte de 20% na verba do serviço há duas semanas. A redução incide sobre o Orçamento dos últimos cinco meses do ano e representa uma economia em torno de R$ 20 milhões para os cofres municipais. Mas o Sindicato de Trabalhadores na Limpeza Pública (Siemaco) calcula que a medida pode provocar a demissão de até 3 mil funcionários. Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Serviços informou que pediu às empresas para reduzirem o número de horas trabalhadas na tentativa de evitar as demissões. A secretaria não respondeu se manterá o corte no Orçamento de 2010. Para tentar reverter o corte e as demissões, o sindicato entrou ontem com uma ação no Ministério Público Estadual. "Queremos o esclarecimento das empresas sobre a demissão. E também que o prefeito explique esse corte no Orçamento já que a varrição de ruas é um serviço essencial para a cidade e significa saúde pública", argumenta o presidente do Siemaco, José Moacyr Malvino Pereira. Amanhã, os funcionários devem fazer paralisação de uma hora em todos os alojamentos antes de sair para o trabalho. Por enquanto, não se fala em greve. "Nossa primeira estratégia é negociar com as empresas para conter as demissões", diz Pereira. Para tanto, o sindicato dos profissionais se reúne amanhã à tarde com o Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de SP (Selur). "Esse corte no Orçamento com certeza vai provocar demissão", confirma Ariovaldo Caodaglio, presidente do Selur. Os presidentes dos sindicatos argumentam que 80% do trabalho é feito pelos funcionários - e o restante por maquinário. Dizem, com isso, que a redução no orçamento vai diretamente provocar demissões e afetar a varrição, principalmente na periferia. "Imagino que a estratégia da Prefeitura será manter as equipes que trabalham em feiras livres e nos grandes centros comerciais. Para isso, ela vai remanejar os funcionários da periferia para o centro", aposta Pereira, do Siemaco. "As ruas do centro são varridas até oito vezes por dia. Na periferia, é feita uma vez só por semana ou a cada dez dias", compara.Segundo o Siemaco, o salário base dos varredores de rua é R$ 635. O de ajudante, R$ 490.

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

01 de setembro de 2009 | 00h00

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