Corte na varrição afeta bairros nobres

Sindicato diz que SP perdeu mais de 2 mil garis, sobretudo nas Subprefeituras de Pinheiros, Lapa e Butantã

Cristiane Bomfim, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

As subprefeituras de Pinheiros, da Lapa e do Butantã foram as mais prejudicadas pela redução em 20% no orçamento de varrição das vias públicas, anunciada no mês passado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Bairros nobres da capital, como Itaim-Bibi, Jardim Paulista, Lapa, Perdizes, Vila Leopoldina e Morumbi, perderam 450 dos 1 mil garis responsáveis pela limpeza das ruas. Os trabalhadores demitidos eram contratados da terceirizada Delta Construções. As três subprefeituras são responsáveis por 15 distritos, que ocupam área total de 127,9 km², com população de 916.843 habitantes.

Levantamento realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Prestação de Serviços em Limpeza Pública (Siemaco), a pedido da reportagem, mostra que, até o início de agosto, as cinco empresas contratadas pela Prefeitura para a varrição de ruas empregavam 8.153 pessoas. Dessas, 2.219 já foram demitidas. A segunda região mais prejudicada é a zona leste, que agora tem 1.110 garis, ante 1.800 no início de semestre, redução de 38,3%. "Acabei de ser comunicado que serei dispensado e tenho de cumprir o aviso prévio. Se antes os garis já não davam conta, imagina agora", afirmava ontem um trabalhador da Unileste.

A limpeza da região central da cidade que era realizada por 1.600 pessoas, hoje conta com 1.272 garis. A diminuição de 20,5% no efetivo é facilmente percebida por quem anda pela região da Rua 25 de Março. "Está cada vez pior, estamos ajudando os garis porque eles não dão conta. Antes as equipes passavam varrendo pelo menos dez vezes durante o dia. Hoje, eles passaram apenas duas vezes, e quando acabam de limpar já está tudo sujo de novo", conta o ambulante Milton César Alves, de 40 anos. Os garis confirmam os relatos, mas pedem para não ser identificados. "Estou mais cansado porque tenho de fazer o mesmo trabalho que antes era feito por seis, sete pessoas", afirmou um deles.

Para o presidente do Siemaco, José Moacyr Malvino Pereira, a situação de limpeza na cidade deve piorar. "A tendência é que as subprefeituras reduzam a demanda de serviço e priorizem áreas centrais e de maior movimento", diz. A categoria ameaça entrar em greve na próxima semana, caso as empresas não voltem atrás nas demissões. Segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, o plano de varrição está sendo refeito.

PATRÕES

As empresas que prestam serviço de varrição na cidade - Unileste, Construfert Ambiental, Qualix Serviços Ambientais, Delta Construções e Paulitec Construções - disseram que as informações caberiam ao Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana (Selur). O último levantamento do Selur diverge do fornecido pelo Siemaco. Segundo o presidente da entidade, Ariovaldo Caodaglio, houve 2.680 demissões em um quadro de 9.100 trabalhadores.

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