Costa quer mais Lula na luta contra Anastasia

Candidato do PMDB em Minas já usa fala do presidente no telemarketing e agora quer que ele grave uma mensagem elefone. Costa deseja gravação de Lula

Eduardo Kattah / BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2010 | 00h00

Mesmo diante de uma suposta resistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a campanha de Hélio Costa (PMDB) editou uma mensagem de telemarketing que será dirigida aos eleitores mineiros utilizando uma fala gravada anteriormente por Lula.

Com o avanço do governador tucano e candidato à reeleição, Antonio Anastasia, nas pesquisas de intenção de voto, o peemedebista joga suas fichas na nacionalização da campanha estadual e na popularidade do presidente, estrela de um comício programado para esta noite de em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Durante a visita, a intenção dos apoiadores de Costa é convencer Lula a gravar uma mensagem específica de apoio ao candidato para a campanha, por telefone. O recurso do telemarketing, foi utilizado pelo ex-governador Aécio Neves (PSDB) em favor de Anastasia e considerado eficaz.

"Eu gravei o telemarketing e certamente tem uma participação do presidente pedindo voto para mim", disse Costa. "É uma fala minha e dele. Com a vinda dele, vamos fazer várias outras gravações, para TV, rádio e possivelmente telemarketing."

A intenção é que a mensagem atinja entre 3,5 milhões e 4 milhões de telefones fixos no Estado. "O ex-governador (Aécio) fez no Estado inteiro, acho que ele cobriu 4 milhões de aparelhos", comentou Costa, que diz desconhecer qualquer resistência do presidente à sua ideia. "Nunca tive um não do presidente em termos de campanha. Minas Gerais é importante para ele, é importante para nós."

Após Aécio impulsionar a candidatura de Anastasia no horário eleitoral no rádio e na TV, a aliança entre petistas e o peemedebista recebeu de Lula a promessa de participação mais intensa ao seu lado. O presidente está sendo chamado para confrontar a popularidade de Aécio e estabelecer o confronto de dois projetos, como no plano federal.

"Subproduto". A tática já provoca reação entre os tucanos. Anteontem, durante campanha em Janaúba, no norte do Estado, Aécio exortou: "Não vamos permitir que transformem a eleição para o governo de Minas em subproduto de uma eleição nacional". O ex-governador tem também criticado os adversários pela busca de apoio fora do Estado.

"Eles são adversários do Lula hoje, eles são adversários da Dilma. É oposição", reagiu Costa. "O lado do ex-governador é o do (José) Serra. O lado do candidato que ele apresentou é o lado do Serra. Fiquem com ele. Por favor, assumam. Cada um assuma o seu (candidato). Eu estou assumindo a candidatura da Dilma Rousseff em Minas Gerais."

"Governador do PT". A coligação em torno de Costa quer aproveitar a presença de Lula em Minas para apresentar um "levantamento" dos investimentos federais no Estado durante o governo Lula. A campanha fala em cerca de R$ 40 bilhões.

Para o candidato peemedebista, Aécio foi tratado como se fosse um governador do PT, como prometera Lula ao ser eleito. "Só que o presidente não teve o mesmo tratamento. Ele (Aécio) devia ter tratado o Lula como um presidente do PSDB.", acrescentou.

Antes do comício em Betim, com a presença da candidata petista Dilma Rousseff, Lula entregará obras em Uberlândia e Contagem. Questionado sobre a aposta dos adversários na presença do presidente, Anastasia preferiu contemporizar: "É uma grande honra para Minas Gerais ter a presença sempre aqui do presidente de República e de outras autoridades políticas. Isso faz parte do jogo democrático."

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