Cotas raciais provocam polêmica entre estilistas

As cotas raciais chegaram às passarelas desta temporada da SPFW. A orientação da coordenação do evento é que cada marca apresente ao menos 10% de modelos negras - regra que causou polêmica, mau humor por parte dos estilistas e até protestos. Na porta do prédio da Fundação Bienal, 40 modelos desfilaram pedindo aumento de cotas.Foi um desfile organizado do Projeto Black Fashion, ONG que luta pela democratização do mercado de trabalho a outras etnias, principalmente aos descendentes afro-brasileiros. Na passarela improvisada até as roupas eram de grifes negras. "São grifes feitas de acordo com o corpo dos negros", esclarece André de Souza, de 37 anos, coordenador do projeto. Entre as marcas estavam Pegada Negra e Cresposim. "Queremos que o mercado de trabalho tenha proposição mais parecida com o da população real do País, portanto, 10% na passarela da SPFW é pouco."A exigência de cotas não está sendo bem-vista pelas marcas. "Acho que moda é liberdade", diz Oskar Metsavaht, dono da Osklen. "Até entendo o porquê dessa exigência. Você acaba passando um recado bom para a sociedade, mas criação não pode ter limites." Para ele, o fato de se criar cotas apenas reforça o racismo. Priscilla Darolt também é contra a política de cotas. "Tudo o que é imposto, dá vontade de romper. Isso é uma ditadura", desabafa a estilista, que já fez desfile só com modelos negros.Samira Carvalho, de 20 anos, foi uma das modelos negras que estiveram na passarela das duas grifes. "Cotas não mudaram minha rotina. Não fui mais requisitada por causa disso, mas acho a política válida."

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