Covas não se incomoda com manifestantes

O governador licenciado Mário Covas já deixou a Rodovia Castelo Branco, onde foi inaugurada uma nova marginal. Covas discursou por cerca de 15 minutos e disse que a obra era um sonho antigo. "Aqui, quem quiser paga, quem não quiser anda mais um pouco e retorna sem pagar", disse Covas referindo-se aos manifestantes, cerca de 15 pessoas, que seguravam cartazes protestando contra a instalação de mais uma praça de pedágio. Num trecho de 11 quilômetros da nova marginal também foi instalado um posto de pedágio. A tarifa é de R$ 3,50, mas o posto ainda está em fase de teste e não há data prevista para a cobrança de pedágio. Os moradores afetados são majoritariamente os da região de Alphaville.Antes mesmo de iniciar o seu discurso, Covas já havia percebido a presença de manifestantes, ao lado esquerdo do palanque, separados por grades, a uma distância de cerca de 5 metros. Covas fazia sinais para os manifestantes e passava a mão no queixo, sinal característico do governador, querendo dizer que os manifestantes só tinham papo. Alguns deles usavam nariz vermelho de palhaço e sopravam apitos. Covas fazia sinal de que não estava ouvindo, virando o ouvido para eles, e chegou a levantar o punho cerrado, dando a impressão de que estava mandando uma ?banana? ao grupo.Durante o discurso, Covas reafirmou que o dinheiro dos impostos é para ser usado em benefícios de um maior número de pessoas. "É fácil dizer que Alphaville é uma região pobre. Na minha avaliação, não é", afirmou ele. Covas disse ainda que colocaria o dinheiro numa região mais necessitada como a visitada por ele na última terça-feira. "Fui ver a obra de reurbanização da favela México 70, em Santos. Essa sim é uma obra para se aplicar dinheiro", disse.Como os manifestantes não paravam de gritar, Covas disse que eles tinham liberdade para protestar. "A bronca é livre. Quem não quiser (usar a marginal ou pagar o pedágio) vai ter outra alternativa", disse Covas. Ele lembrou que em março ficará pronta a marginal da outra pista e que em breve, na região, haverá ainda a passagem do rodoanel metropolitano.Covas ressaltou estar muito satisfeito com a obra, uma das prioridades do seu governo, que irá diminuir sensivelmente o congestionamento na região. "Não sou perfeito, estou cheio de erros, agora até erros físicos e biológicos, mas precisava colocar as coisas nos seus devidos termos. Esta opção, a marginal e o pedágio, permite atender os interesses populares", afirmou Covas.Pouco antes de encerrar o discurso, Covas chamou a repórter da televisão local, a TV Alphaville. "Cadê esse menino, não estou fugindo dele. Se tem uma coisa de que eu não abdico é da discussão. Até discuto mais do que devia", disse.Ao deixar o palanque, o governador afirmou aos repórteres que havia gostado muito da obra. Mas, ao ser questionado sobre a manifestação, Covas chegou a discutir com alguns assessores, que o impediram de responder: "Espera, deixa eu falar?. Não, acho que não vai dar, Oswaldinho não vai deixar", disse Covas aos jornalistas, referindo-se ao secretário de comunicação Oswaldo Martins. Em seguida, Covas seguiu em uma perua Van até o helicóptero e retornou ao Palácio dos Bandeirantes.

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