CPI analisa quebra de sigilo de Denise Abreu

Deputados também votarão pedido de acareação com ex-presidente da Infraero

João Domingos e Luciana Nunes Leal, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2008 | 00h00

A CPI do Apagão Aéreo da Câmara deve votar hoje requerimento para quebra de sigilo bancário da diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu. Os deputados querem investigar denúncia do brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero, estatal que administra os aeroportos, de que Denise faz lobby para que o setor de transporte de cargas seja transferido dos aeroportos de Viracopos, em Campinas, e Congonhas, em São Paulo, para o de Ribeirão Preto. O pedido será apresentado pelo deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR). A CPI também decidiu convocar para depor, amanhã, o vice-presidente de segurança da Airbus, Yannick Malinge, o diretor de vendas da empresa, Raul Alonso, e o proprietário da Eads do Brasil, Eduardo Marson, que representa o consórcio industrial da Alemanha e da França. Malinge está no Brasil para acompanhar as investigações sobre o acidente com o Airbus, no dia 17, em Congonhas, quando morreram 199 pessoas. A Airbus tem reclamado do comportamento da comissão, por ter divulgado o conteúdo da caixa preta de voz do avião. O relator da CPI do Apagão, deputado Marco Maia (PT-RS), disse ontem que, em vez de a Airbus "ficar reclamando", deveria colaborar com as investigações. "Quando toma as posições que tem tomado, a Airbus procura fazer a sua defesa preventiva, porque vamos investigar a fundo se a falha foi do avião." Para ele, se a Airbus colaborar, será possível prevenir acidentes futuros. ACAREAÇÃOO deputado Vic Pires Franco (DEM-PA) preparou requerimento pedindo acareação entre Denise Abreu e José Carlos Pereira. O presidente interino da CPI, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), informou, porém, que o requerimento não será votado hoje porque o regimento interno impede que a CPI faça acareação com pessoas que ainda não prestaram depoimento. Denise falará pela primeira vez aos deputados. "Se houver contradição, votaremos depois a proposta de acareação", afirmou Cunha. Segundo Pereira, Denise quer transferir o setor de cargas para beneficiar um amigo, o empresário Carlos Ernesto Campos, dono da empresa Tead Terminais Aduaneiros. Denise negou as acusações e disse que vai processar o ex-presidente da Infraero. Campos também negou a relação.A CPI deverá votar hoje também outro requerimento de Fruet para que o Ministério da Defesa abra processo de improbidade administrativa contra a diretoria da Anac. Para Fruet, o processo pode ser o caminho para o governo constatar a ineficiência da atual direção.

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