CPI da Bancoop abre sigilo de 7 empresas e 8 pessoas

Ação atinge empreiteiras, fornecedores de material de construção e prestadores de serviços da cooperativa

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2010 | 00h00

Por 6 votos a 2, a CPI da Bancoop aprovou ontem a quebra de sigilo bancário e fiscal de 7 empresas e 8 pessoas envolvidas com a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo. A Bancoop está sob investigação por supostas fraudes e desvio de recursos para financiar campanhas do PT.

A medida atinge empreiteiras, fornecedores de material de construção e prestadores de serviços - Germany, Mizu, Mirante, Conservix, Saned, Amaro Cavalcante Construções e Irmãos Peruzo -, além de Hélio Malheiro, Andi Gurczynska, Walter Amaro, Ricardo Luís do Carmo, Marcelo Rinaldi, Alessandro Bernardini, Luís Malheiro e Tomás Edson Botelho Fraga.

É o passo mais importante da CPI, que até agora tomou depoimentos de cooperados que reclamam não ter recebido suas unidades. Também foram ouvidos relatos de profissionais que tiveram ligações com a Bancoop na gestão de Luís Malheiro, morto em acidente de carro em 2004.

A CPI espera encontrar nos extratos bancários e nas informações tributárias eventuais movimentações atípicas e patrimônio incompatível com rendas declaradas. Mais que isso, mira o destino do dinheiro dos compradores dos imóveis. "Os cooperados pagavam suas parcelas, as unidades habitacionais não eram entregues. Então, para algum lugar o dinheiro foi", anota o deputado Bruno Covas (PSDB), relator da comissão e autor do requerimento para abertura do sigilo. "Colhemos provas testemunhais, agora esperamos obter provas documentais."

O Ministério Público suspeita que o rombo na Bancoop soma R$ 100 milhões e define a cooperativa como "organização criminosa". A promotoria criminal supõe que parte de recursos teria sido destinada a campanhas políticas do PT e prepara denúncia formal à Justiça por estelionato, lavagem de dinheiro e quadrilha. "Se esse dinheiro foi utilizado para pagar campanhas dos partidos dos dirigentes da Bancoop ou se foi para uso próprio desses dirigentes é o que vamos saber", assinala Covas.

"A CPI é uma hipocrisia, vai ser um fiasco", avalia o deputado Vanderlei Siraque (PT), que defendia a necessidade de a Procuradoria da Assembleia emitir parecer sobre a legalidade da devassa. "O sigilo pode e deve ser quebrado, mas do jeito que fizeram na prática jamais será aberto. Os requerimentos têm de ser individualizados e devidamente motivados por se tratar de direito fundamental. Fizeram pirotecnia. A Receita e o Banco Central são órgãos de Estado, não de governo."

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