CPI deve oferecer delação premiada a preso

Borracheiro pode revelar identidade de mais envolvidos em pedofilia

Chico Siqueira, ARAÇATUBA, O Estadao de S.Paulo

02 de março de 2009 | 00h00

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia no Senado poderá oferecer o benefício da delação premiada para o borracheiro José Barra Nova de Melo, de 46 anos, que está preso acusado de abusar de pelo menos 14 crianças de 5 a 14 anos de idade em Catanduva, no interior de São Paulo. A informação é do senador Magno Malta (PE-ES), presidente da CPI. Segundo o senador, a comissão poderá propiciar a Melo o benefício da delação premiada para que ele entregue outros integrantes da rede de exploração infantil, que teria abusado de dezenas de crianças moradoras nos bairros Jardim Alpino e Cidade Jardim, na periferia da cidade. Até agora, as investigações confirmaram agressões contra 24 menores.O senador disse que pretende se encontrar com o borracheiro hoje, junto com autoridades do município. De acordo com Malta, o borracheiro poderá fornecer informações importantes para ajudar as autoridades a desvendar a participação de mais envolvidos."Penso que em determinado momento ele poderá receber benefícios judiciais para cooperar e daí poderia abrir a sacola para revelar mais informações para as autoridades", comentou Malta. O senador disse que o borracheiro deverá ser oficialmente convocado pela CPI.Além do borracheiro, que está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de São José do Rio Preto, Malta vai se reunir com representantes do Judiciário, do Ministério Público, das Polícias Civil e Militar e com familiares das vítimas, que denunciaram irregularidades na condução dos inquéritos que apuram o caso."Esta minha viagem, que serve de preparação para a ida da CPI, se fez necessária tendo em vista que o número de crianças abusadas, que seriam em torno de 50, é muito grande", disse Malta. "Vamos conhecer o inquérito e reunir todas as informações para depois convocar os envolvidos para uma sessão da CPI que será realizada em Catanduva", concluiu o senador.

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