CPI do Lixo deve investigar financiadores da campanha do PT

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Lixo aprovada na Câmara DE Vereadores de São Paulo, que será presidida pelo petista Devanir Ribeiro, terá de investigar contratos e aditamentos de empresas que contribuíram financeiramente para a campanha que levou Marta Suplicy (PT) à Prefeitura em 2000. "Se ainda fosse uma coisa ilegal, mas a lei permite as doações", diz Devanir. "Além do mais, tenho apoio de 48 votos, inclusive do PSDB", completa, referindo-se à votação do pedido de criação da CPI.A comissão deverá ser instalada na quarta-feira. Vai investigar os contratos firmados com empresas para coleta, varrição e serviços complementares desde 1987, na gestão Jânio Quadros, até a de Marta. Nesse período também comandaram a Prefeitura Luíza Erundina (ex-PT, hoje no PSB), Paulo Maluf (PPB) e Celso Pitta (PTN).Das 28 empresas que deverão ser investigadas, quatro deram contribuição financeira à campanha do PT. Durante a gestão dos ex-prefeitos Pitta e Maluf, essas mesmas empresas eram criticadas pela bancada petista, na época de oposição. Os vereadores afirmavam que elas eram "cartelizadas", "sem transparência" e escondiam o preço do serviço.De acordo com a demonstração dos recursos arrecadados pelo PT, entregue ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a empresa Vega Ambiental contribuiu com R$ 501 mil. A Enterpa, por meio de sua controladora argentina Sideco Brasil, doou R$ 302 mil para o comitê petista, a Cliba entrou com R$ 251 mil e a Enob, com R$ 4 mil. Três delas - Enterpa, Vega e Cliba - chegaram a ser investigadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) por irregularidades nos contratos de coleta de lixo e varrição.Para vereadores da situação, não há problema em investigar quem deu dinheiro para a campanha, pois isso é permitido pela lei eleitoral. Mas a oposição pensa diferente e classifica de "ridícula" a disposição do PT em investigar as empresas.´CPI meia-sola´ - O líder da oposição na Câmara, Gilberto Natalini (PSDB), diz que o PT não quis aprovar uma comissão independente e forçou a criação de uma "CPI meia-sola". Para ele, o fato de os trabalhos começarem com contratos firmados há 14 anos deixa um cheiro de "manobra" no ar. "É para não chegar na Marta."Sobre as empresas que injetaram dinheiro na campanha petista estarem na mira da CPI, Natalini diz que "é brincar com a paciência e com a inteligência da opinião pública". Ele disse que o PSDB lutará pela relatoria da comissão. "Caso contrário, a CPI terá chances de encobrir os contratos da Marta."A comissão contará com sete vereadores, definidos conforme a representatividade dos partidos em plenário. Serão dois do PT. PSDB, PPB, PMDB, PL e PTB indicarão um nome cada um. Devanir afirma serem infundados os receios da oposição. Diz que a CPI será "transparente" e promete convidar promotores do MPE para acompanharem os trabalhos. O presidente da Câmara, José Eduardo Cardozo (PT), também rebate críticas. "Acho que o PSDB está subestimando o compromisso ético do PT com a população."

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