CPI é instalada para investigar morte de PMs no Rio

A Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro instalou nesta quinta-feira uma CPI para investigar as mortes de policiais no Estado. Nos últimos seis dias, 11 policiais foram mortos. A CPI foi reivindicada pela "bancada da bala" na Assembléia. O presidente da comissão será o deputado estadual e coronel da Polícia Militar Jairo Souza (PSC), e o relator será o deputado e major reformado da PM Paulo Ramos (PDT). "Hoje os policiais saem de casa e muitas vezes não têm certeza de que vão voltar. Queremos amenizar o sofrimento das famílias dos policiais mortos", disse Souza.A CPI tem um prazo de 90 dias para concluir as investigações e pretende convocar autoridades de segurança do Rio para prestar depoimento. Nesta quinta-feira de manhã, o soldado da PM Elson de Souza, 30 anos, foi morto com vários tiros no confronto com traficantes nas proximidades da favela Vigário Geral, zona norte do Rio. O cabo Leandro Ipanema também foi baleado e está internado. Depois da morte de Elson de Souza, a polícia civil prendeu 20 pessoas, entre elas alguns suspeitos de terem participado dos ataques em série no Rio no fim do ano passado. O Clube dos Soldados da PM do Rio está oferecendo uma recompensa de R$ 2.000, a maior da sua história, para quem der informações sobre os assassinos de policias, segundo o presidente da entidade, tenente Jorge Lobão.Foram espalhados cartazes em ao menos 41 ônibus que circulam no Rio com anúncios oferecendo a recompensa. "O Clube entende que alguém tem que fazer alguma coisa. Tem de haver uma reação da nossa parte já que o Estado não reage", afirmou Lobão. "Acho que há um descaso das autoridades do Rio. Vejo as autoridades nas cerimônias de enterro dos policias. Tem salva de tiro, banda de música, mas não há um empenho para investigar essas mortes depois", acrescentou o presidente do Clube dos Soldados da PM. De acordo com dados da entidade, 31 policiais morreram em 2007, sendo 12 no horário de serviço. Os números oficiais da coorporação apontam para 29 vítimas este ano. EnterroNesta tarde, foi enterrado no cemitério de Sulacap, zona norte do Rio, o corpo do policial militar Jorge Ulisses Vieitas Fernandes, 43 anos. Ele reagiu a um assalto na noite de quarta-feira na Penha, zona norte do Rio, e foi morto com nove tiros.Em outro caso, dois PMs, que atendiam a uma ocorrência de assalto em uma transportadora de valores, foram recebidos a tiros no Jardim América, na zona norte do Rio. Funcionários da empresa disseram que foram obrigados pelos bandidos a abrir o portão de ferro para os policiais. No pátio da empresa, logo após o portão ser fechado, os criminosos metralharam a viatura.Uma outra versão, ainda não confirmada pela polícia, afirma que eles foram mortos por traficantes de Vigário Geral, bairro vizinho, que fugiam da operação policial na favela, onde mais de 20 pessoas foram detidas, dentre elas cinco suspeitos de participação nos ataques entre os dias 28 e 31 de dezembro. Na ocasião, 18 inocentes morreram quando bandidos queimaram ônibus, metralharam delegacias e cabines da polícia e jogaram granadas contra quartéis do Corpo de Bombeiros.O delegado titular da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE), Carlos Alberto Oliveira, exibiu imagens de alguns dos acusados em filmagens realizadas com uma microcâmera nos últimos dias. Nas imagens, traficantes circulam de fuzis entre crianças e vendem drogas sem constrangimento.Operação em Vigário GeralNa manhã desta quinta-feira, cerca de 200 policiais invadiram a favela. Um informante participou da ação e levou os policiais até os suspeitos e ao local onde a quadrilha armazenava armas e drogas. Segundo na polícia, os traficantes foram surpreendidos fora de seus postos e por isso não houve tiroteio. "Tivemos informações que os ataques do ano passado foram planejados em reuniões em Vigário Geral e que estes bandidos teriam participado dos crimes", declarou Oliveira.Apontado como chefe do tráfico em Vigário Geral e em oito favelas da Baixada Fluminense, Gilberto Soares Alves, o Caveirinha, de 32 anos, negou participação nos crimes. Na operação policial, foram apreendidos 20 quilos de maconha, 300 papelotes de cocaína, duas pistolas, seis granadas e uma espingarda, além de grande quantidade de munição.Apontado por policiais como "matador de policiais" e preso com munição para pistola 9mm nos bolsos, segundo a polícia, o educador social da ONG Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social (Ibiss), Leonardo Rodrigues dos Santos, de 24 anos, também negou as acusações."Eu ia renovar minha carteira de motorista. Nada foi encontrado nos meus bolsos" disse o rapaz que tinha a camisa e a calça ensangüentadas. O delegado disse que ele se feriu ao tentar fugir, o acusado disse que um policial fez um corte sem querer em sua mão ao cortar as algemas de plástico. A ONG confirmou a versão do acusado. "Ele é professor da escolinha de futebol. Não acreditamos no envolvimento dele que trabalha conosco desde 2003", disse o diretor da ONG, o holandês Nanko Van Burren.Os outros três acusados não quiseram comentar o assunto. Dois menores foram apreendidos. Um deles era procurado por ter baleado quando limpava a arma o primo Jessé Verísimo Arivaldo, de 6 anos, em novembro do ano passado. Um outro de nove anos foi apreendido com a avó. Segundo a polícia, um bandido abordou a família nas ruas da favela colocou a arma na mochila da criança. A avó e o neto foram liberados à tarde.

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