CPI investiga em empresa indícios de proprina em Santo André

Três vereadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Santo André, criada para investigar a existência de uma rede de propina para campanhas do PT, fizeram nesta terça-feira uma "diligência" na empresa de ônibus Expresso Guarará para verificar se há, nos livros contábeis, alguma indicação do pagamento de "caixinha". O presidente da comissão, vereador Antonio Leite (PT), disse, após a análise dos documentos, que os números podem revelar indícios do suposto pagamento de propina. "Identificamos aquelas contas que a gente acha que podem revelar algum indício", disse.Ele declarou, porém, ainda não ser possível chegar a conclusões. "São muitas informações", afirmou. O relator da CPI, Donizeti Pereira (PV), por sua vez apressou-se em dizer que "não há indícios de nada". "Ainda não fizemos nenhum juízo de valor", emendou Leite A Guarará pertence à família Gabrilli, os principais denunciantes do suposto esquema e testemunhas do Ministério Público na ação criminal proposta contra autoridades públicas e empresários de Santo André, como o vereador Klinger Luiz de Oliveira Sousa e os empresários Ronan MariaPinto e Sérgio Gomes da Silva, o Sombra. De acordo com representantes da empresa, os valores supostamente pagos a título de propina estão registrados no "balanço geral" da Guarará sob a denominação de "despesas não dedutíveis". Em um dos balancetes, que os vereadores requisitaram cópia - referente a outubro de 2001 - constao valor de R$ 41.800,00 como "despesa não dedutível". De acordo com o testemunho de Rosângela Gabrilli, diretora da Guarará, este seria exatamente o valor mensal da suposta "caixinha". Segundo informações da empresa, tais pagamentos teriam sido feitos pela Guarará desde outubro de 2000. Anteriormente, sempre segundo os administradores da companhia, a suposta propina seria paga pela Viação São José, também de propriedade dos Gabrilli. Os vereadores, porém, até ontem ainda não haviam requisitado oficialmente acesso às contas da São José. Os parlamentares, que estavam acompanhados de dois técnicos em contabilidade da Câmara, passaram o dia inteiro na empresa, mas prometeram retornar na sexta-feira para continuar o trabalho. Amanhã eles vão se reunir para "relatar" o que se passou na diligência aos outros dois membros da CPI que não compareceram ontem, os vereadores Osvaldo Moura (PMDB) e Carlos Ferreira (PSB). Deve também ser discutido se o patriarca dos Gabrilli, Luís Alberto Ângelo Gabrilli Filho, será ouvido ou não. Segundo Leite, o depoimento "depende dos resultados" das diligências que estão sendo feitas. Na realidade, o depoimento de Gabrilli deveria ter ocorrido na semana passada, porém foi cancelado pela própria CPI. Se a comissão decidir ouvi-lo, seu testemunho só será realizado após a eleição. Ainda na semana passada, os vereadores aprovaram a prorrogação do prazo de funcionamento da comissão por mais 30 dias. Ela estava programada para terminar no dia 18, mas agora só vai terminar em novembro, também depois do pleito.Todos os cinco membros da CPI fazem parte da base de sustentação do governo petista do prefeito João Avamileno. Também participou da diligência de ontem o vereador Donizete Ferreira (PDT).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.