CPI mantém apuração de contas e ligações telefônicas

A CPI do Apagão Aéreo do Senado vai continuar investigando Denise Abreu. Os dados dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dela, quebrados pelos senadores esta semana, serão analisados pelos técnicos da CPI assim que forem enviados pelos bancos, pela Receita Federal e pelas companhias telefônicas, informou ontem o relator, Demóstenes Torres (DEM-GO). "Foi bom para o Brasil. Ela estava comprometida, com a imagem desgastada. E o setor aéreo exige confiança. Agora, a Anac deveria deixar de existir", disse o senador.Os sigilos de Denise foram quebrados para que seja investigada a suspeita de que tentou interceder pela transferência de vôos de carga dos aeroportos de Viracopos e Cumbica para Ribeirão Preto. A denúncia foi feita pelo ex-presidente da Infraero (estatal que administra aeroportos) José Carlos Pereira. Segundo ele, Denise teria tentado beneficiar Carlos Ernesto Campos, dono da empresa Tead, vencedor da licitação para administrar o terminal de cargas de Ribeirão.Integrante da CPI do Apagão da Câmara, Gustavo Fruet (PSDB-PR) considera fundamental que o demais diretores da Anac sejam investigados. "Não há motivo para comemorar, isto só reforça a tragédia da gestão. Denise Abreu não pode ser responsável sozinha, é preciso verificar a omissão e ineficiência do colegiado." Para Fruet, pesou de forma definitiva no pedido de demissão a decisão do ministro Nelson Jobim de abrir inquérito sobre o envio de documento sem valor legal ao Tribunal Regional Federal. "Quando se abre o processo administrativo, a pressão aumenta: ou renuncia ou é afastada. Ela preferiu renunciar."Para o vice-presidente da CPI da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a situação era "politicamente insustentável" e Denise "teve a melhor atitude, para o bem dela".

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