CPI ouve legistas de presos mortos em incêndio em Minas Gerais

Deputados da comissão que investiga sistema carcerário apuram se houve 'facilitação' de policias no incidente

Ricardo Bandeira, do Estadão,

25 Agosto 2007 | 20h01

Os deputados federais Neucimar Fraga (PR-ES), Maria Lúcia Cardoso (PMDB-MG) e Alexandre Silvério (PPS-MG), integrantes da CPI do Sistema Carcerário Brasileiro, ouviram neste sábado, 25, em Belo Horizonte, os médicos do Instituto Médico Legal (IML) que fizeram a autópsia dos corpos dos presos mortos, na quinta-feira, 23, no incêndio na cadeia de Ponte Nova (MG).  A CPI investiga a suspeita, levantada por parentes das vítimas, de que policiais tenham facilitado uma eventual chacina dos detentos. Parte deles teriam sido transferidos para uma cela que abrigava integrantes de uma facção rival. Vinte e cinco presos morreram no incêndio, que começou após uma briga entre eles. A causa das mortes ainda não foi esclarecida. De acordo com o deputado Alexandre Silvério, pelo número de disparos relatados por testemunhas, não está claro se os presos foram baleados e depois tiveram os corpos queimados ou se morreram asfixiados pela fumaça.  Neste sábado, no entanto, o IML informou que, segundo os primeiros levantamentos dos médicos legistas, os corpos não apresentavam balas alojadas recentemente. Isto eliminaria a possibilidade de que eles tenham sido executados e depois queimados. Os depoimentos dos médicos ouvidos pela CPI serão comparados com os de detentos, familiares, carcereiros e policiais já interrogados. Dos 15 corpos identificados até agora, 14 foram enterrados neste sábado. Um deles aguarda liberação da família para o sepultamento. Dez corpos ainda não foram identificados. O caso está sendo investigado também pelo Ministério Público de Minas, que destacou dois promotores para acompanhar a apuração dos fatos.  A Secretaria de Estado de Defesa Social anunciou que estuda reformas no prédio da cadeia ou a desativação do local. Os presos sobreviventes do incêndio foram transferidos para outras penitenciárias.

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