CPI ouve quatro depoimentos, mas escolhe Zuanazzi como alvo

Alvo preferencial dos ataques de senadores, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, defendeu nesta quinta-feira a construção de áreas de escape para as pistas de Congonhas e afirmou que o aeroporto paulista, palco da tragédia com o Airbus da TAM, não é exatamente um exemplo de lugar para pousos e decolagens."Se fôssemos fazer um aeroporto ideal, com certeza Congonhas não seria esse aeroporto", afirmou Zuanazzi, em depoimento conjunto à CPI da Crise Aérea, no Senado.Participavam da mesma audiência os presidentes da TAM, Marco Antonio Bologna, e da Infraero, José Carlos Pereira, e o chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Jorge Kersul Filho.Na berlinda, o titular do órgão regulador vem recebendo críticas diretas do Congresso. Parlamentares criticam o cunho político da indicação de Zuanazzi e cogitam aprovar uma regra legal que facilite a demissão de diretores do órgão.Esta não é a primeira vez em ele reconhece que a pista de Congonhas opera no limite. As condições da pista são uma das hipóteses investigadas para esclarecer as causas do acidente com o vôo 3054 da TAM, que vitimou 199 pessoas."Que precisamos de um outro aeroporto lá, não há a menor dúvida", completou.Ele próprio já afirmou que a construção de um terceiro aeroporto é projeto apenas para 2050.O presidente da Anac sofreu, inclusive, agressões verbais. O senador Raimundo Colombo (DEM-SC) chegou a chamá-lo de "ignorante", referindo-se a seus conhecimentos sobre o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.ESQUEÇAM O QUE EU DISSEJá o brigadeiro Jorge Kersul iniciou suas palavras com críticas duras à CPI da Câmara.Ele reclamou da divulgação pública de dados das caixas-pretas na última quarta-feira e chegou a sugerir que se as autoridades brasileiras querem infringir normas internacionais de sigilo a informações, que deixem a Convenção de Chicago, que trata dessas regras.Preocupado com a repercussão de suas declarações à CPI na véspera sobre possíveis razões para o acidente, Kersul salientou: "Queria lembrar que tudo o que eu falei até agora, sem exceção, não tem valor algum, porque se baseia totalmente em hipótese."

NATUZA NERY, REUTERS

02 de agosto de 2007 | 17h58

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