CPI: Roriz deu início a 'mensalão do DEM'

Esquema no governo Arruda começou há 10 anos, diz relatório final aprovado ontem

Carol Pires BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

Reação. Joaquim Roriz atacou o deputado petista: 'É um relator político-eleitoral', afirmou o candidato ao governo do DF            

 

 

 

 

O esquema de corrupção no governo de José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), conhecido como "mensalão do DEM", teve início há dez anos, na gestão do então governador Joaquim Roriz (PSC), aponta relatório final aprovado ontem pela CPI da Corrupção da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

"A podridão do governo Arruda saiu das entranhas do governo Roriz", afirma o relatório, que pede o indiciamento de Arruda, de Roriz e de mais outras 20 pessoas. Relator da CPI, o deputado distrital Paulo Tadeu (PT) afirma que os crimes apurados no governo Arruda foram "uma imitação idêntica dos desvios de recursos públicos que levaram à reeleição de Roriz em 2002".

E o relator prossegue: "Tanto a eleição de Roriz em 2002 quanto a de Arruda em 2006 foram financiadas por recursos públicos desviados por esse esquema de corrupção".

Fraudes. De acordo com as investigações da comissão de inquérito, a "gênese" do "mensalão" de Brasília é de 1999, ano em que Roriz assumiu o governo pela terceira vez, e começou a fechar contratos fraudulentos com o Instituto Candango de Solidariedade. Entre 1999 e 2009, o desvio de recursos públicos se estendeu por diferentes áreas: contratos de informática, publicidade, terras públicas, coleta e tratamento de lixo, e ainda o Departamento de Trânsito (DETRAN) e o Banco de Brasília (BRB). Os contratos firmados pelo governo com as empresas envolvidas no esquema chegaram a R$ 4,2 bilhões.

"O descaso com a lei, a absoluta falta de controle dos órgãos públicos, a ineficiência da fiscalização, a promiscuidade entre o público e o privado e a certeza da impunidade animaram um grupo considerável de pessoas a assaltar o Estado", diz ainda o relator em suas considerações.

A partir do inquérito da Operação Caixa de Pandora, além dos levantamentos e depoimentos colhidos pela CPI, o relatório atesta ainda o "inegável" conhecimento e participação dos ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda nos desvios de dinheiro público. "Admitir que um governador não sabia disso e nem se beneficiava disso é admitir o absurdo", observa Paulo Tadeu.

Outro lado. Roriz rebateu as denúncias feitas pelo relatório acusando o relator - que é candidato a deputado federal pelo PT - de usar a CPI para se beneficiar da exposição, de forma eleitoreira. "É um relator político-eleitoral, cujo objetivo é convencer a população de que o ex-governador Roriz é responsável pelas irregularidades do governo Arruda", afirmou Paulo Fona, coordenador de comunicação da campanha de Roriz.

O ex-governador brasiliense concorre pela quinta vez ao governo do Distrito Federal, mas enfrenta na Justiça a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que decidiu barrar sua candidatura com base na lei da Ficha Limpa, uma vez que renunciou ao mandato de senador em 2007 para fugir de um processo que poderia ter como resultado a cassação de seu mandato e a perda de direitos políticos.

José Roberto Arruda foi preso no início do ano, acusado de tentar atrapalhar as investigações policiais sobre corrupção em sua administração.

Acabou tendo o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por infidelidade partidária. Os advogados de José Roberto Arruda não responderam às ligações feitas pela reportagem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.