CPIs vão investigar pilhagem

Furto de objetos de vítimas do acidente da Gol, revelado pelo ?Estado?, chocou parlamentares

Rosa Costa, Lisandra Paraguassú e Fabíola Salvador, Brasília, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2006 | 00h00

As CPIs do Apagão Aéreo no Congresso vão começar a investigar nesta semana a pilhagem de documentos e jóias das vítimas do acidente da Gol, denunciada ontem por reportagem do Estado. No Senado, o relator da CPI, Demóstenes Torres (PFL-GO), quer ouvir o que a Aeronáutica tem a dizer e chamar familiares das vítimas para levantar os casos. Na Câmara, o vice-presidente da CPI, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quer saber quem era o responsável pelo local do acidente para convocá-lo e descobrir como aconteceram os saques. "É um absurdo, seja qual for a desculpa. Só mostra o descaso com as vítimas", afirmou Cunha. "Governo e Aeronáutica já deveriam estar investigando. A atitude mais insensível nessa hora é a Aeronáutica querer se livrar da responsabilidade, dizendo que outras pessoas manusearam os documentos", afirmou Demóstenes. "Se a Aeronáutica não quiser responsabilizar-se, é o caso de se repensar seu papel institucional. Jogaram tudo para baixo do tapete." A reportagem mostrou que os familiares das vítimas do acidente aéreo, ocorrido em 29 de setembro, não receberam de volta documentos importantes,como carteiras de identidade, de motorista e CPF. Em muitos casos, bolsas e carteiras voltaram com carteirinhas de clubes e até mesmo talão de cheques ou dinheiro, mas sem nenhum documento. Também sumiram relógios, alianças e outras jóias, além de celulares. Em pelo menos um caso, o documento de uma vítima foi usado para contrair um empréstimo numa financeira de Brasília para a compra de um carro. Um celular foi parar num bairro da periferia do Rio. Os casos descritos na reportagem chocaram parlamentares ouvidos pelo Estado. "Nem sei como qualificar uma situação terrível dessas, que nem a empresa nem o governo tenha tido o cuidado de preservar os pertences dessas pessoas", disse o deputado José Aníbal (PSDB-SP). "Já não basta o trauma da família e ainda ela tem de passar pelo dissabor de ter os documentos das vítimas usados de forma ilegal", afirmou o senador Renato Casagrande (PSB-ES), vice-presidente da CPI do Senado. O deputado Antonio Carlos Pannunzio, líder do PSDB na Câmara, foi duro. "Isso mostra o nível de descaso que esse governo tem pelo drama das pessoas." O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, também cobrou a apuração do caso. "É um desrespeito absurdo", disse Britto. "É preciso apurar as responsabilidades de quem permitiu esse descalabro, com a adoção de medidas punitivas severas".

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