CPTM cria o kit Bom Lanche, a R$ 0,40

Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Atendimento ao Usuário da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) revelou que segunda-feira é o dia campeão de atendimentos médicos nas suas 92 estações. Segundo o levantamento, a causa principal é a falta de alimentação. A pesquisa revelou que, de 129 passageiros atendidos, 32% tinham saído de casa em jejum. Cerca de um milhão de passageiros viajam diariamente nos 270 km de trilhos que cortam a Grande São Paulo. Assim nasceu o Bom Lanche. Lançado nesta quarta-feira, em Guaianases, o kit inclui um suco artificial de frutas, mais um pedaço de bolo ou um misto frio. A preocupação com eventuais intoxicações fez com que Luiz Alberto Chaves de Oliveira, superintendente de Programas Coorporativos e de Relações com a Comunidade da CPTM, optasse por um lanche que "envolvesse o mínimo de manuseio e praticamente nada de conservação." E, além disso, que fosse barato. "Avaliamos que R$ 0,40 é um valor adequado aos nossos usuários", defende o superintendente. Em abril, somente na Estação Brás - que integra trem e metrô -, 111 pessoas foram atendidas por mal súbito. "Percebemos que o número de ocorrências envolvendo quedas, desmaios e mal-estar havia aumentado", conta o coordenador do projeto. Apesar de achar a iniciativa válida, o vendedor Olívio Silva Gomes, de 35 anos, discorda do coordenador. "Tem muita gente que sai de casa só com o dinheiro da condução ou o vale-transporte." Todos os dias, Gomes vai do Perus ao Brás, onde trabalha. Há 45 dias, ele passou mal no trem e foi atendido pelos médicos da CPTM. "Não havia tomado café, o trem estava lotado e quase não havia ventilação." Juliana Magda, estudante de 18 anos, achou o valor alto. "Entendo que o custo seja baixo. Mesmo assim, tem muita gente sem um tostão no bolso." Já o corretor de seguros Willians Brandão, de 32 anos, preferiu fazer uma sugestão. "Em vez de cobrarem R$0,40 num lanche, poderiam abater esse valor da passagem", disse Brandão. Os três passageiros entrevistados, porém, ficaram decepcionados quando souberam que o vale-transporte, usado até como moeda corrente em alguns lugares, não será aceito como forma de pagamento do lanche. O coordenador do programa afirma que "nem havíamos pensado nisso. Como o valor do lanche é muito baixo, fica difícil até para dar o troco", disse. Ele não descarta, porém, a possibilidade dos usuários usarem o vale para comprar o kit. "Podemos estudar", disse Chaves. Assim como serão vendidos sucos de laranja, limão, maracujá, abacaxi e uva porque "pesquisamos junto aos passageiros quais sabores agradavam mais, podemos rever alguns conceitos, tal como a aceitação do vale." Suzano, Francisco Morato, Perus, Osasco, Mauá e Itaim Paulista são as outras seis estações incluídas inicialmente no Programa Bom Lanche.Segundo a assessoria de imprensa da CPTM, as estações foram escolhidas por estarem distantes do centro da cidade. Os quiosques onde os lanches serão vendidos vão funcionar dentro das áreas pagas das estações. Só as pessoas que utilizam os trens poderão comprar o kit pelo valor de R$ 0,40. E se alguém que não vai pegar o trem quiser comprar o lanche? "Não podemos fazer nada. O programa é para o usuário da CPTM", responde o coordenador.

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