CPTM será processada por morte de mulher

O velório da dona de casa Paula Marisângela Milnverstet, de 27 anos e grávida de seis meses, vítima do acidente que ocorreu sábado entre as estações Itaim Paulista e Manoel Feio, na linha Brás-Calmon da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM), em São Paulo, aconteceu neste domingo no templo evangélico Igreja Unida, em Cangaíba, na zona leste. A mãe de Paula, Therezinha Milnverstet, diz que quer justiça. ?Se for preciso vou ao fundo do poço buscar meus direitos. Quero ser indenizada três vezes: pela minha filha, pelo bebê e pelo Richard (o filho de 10 anos que estava com a mãe no trem?, afirmou. No sábado, Paula saiu de Itaquaquecetuba com o filho Richard Milnverstet Pedro, e foi ao centro de São Paulo de trem para pagar uma prestação. Na volta, o vagão em que eles estavam foi atingido na lateral por outro trem. O impacto matou Paula, que teve politraumatismos.Os 42 feridos, entre eles Richard, que fraturou o fêmur e a clavícula, foram levados pelo Resgate do Corpo de Bombeiros aos hospitais Tide Setúbal (São Miguel Paulista), Santa Marcelina (unidade Itaim Paulista), Ermelino Matarazzo, Municipal de Itaquaquecetuba e das Clínicas. Therezinha Milnverstet estava em casa tomando banho quando o orelhão em frente de sua casa tocou. ?Saí correndo para atender o telefone, pois ela estava demorando muito para voltar. Não acreditei quando me deram a notícia da morte dela. O choque foi muito grande?, contou.No velório, deitado em uma maca ao lado da caixão da mãe, Richard estava desconsolado. Ele só soube da morte da mãe neste domingo, quando recebeu alta do Hospital das Clínicas. ?Não lembro como foi o acidente, pois na hora da batida eu desmaiei. Eu sempre pegava trem com minha mãe. Vai ser muito ruim ficar sem ela?, disse. ?Nunca mais vou andar de trem na minha vida.?Roque Lourenço Santana Filho, de 30 anos, que morava com Paula há cinco anos, pretendia casar assim que o bebê nascesse. ?Ela estava muito feliz com a gravidez e fazíamos muitos planos?, disse.Para o ex-namorado de Paula e pai de Richard, Adriano Moraes Pedro, que morou sete anos em Itaquaquecetuba (hoje mora em Marília ,vai ser muito importante acompanhar a recuperação do filho. ?Apesar de não morar mais com eles, sempre fomos muito amigos. Estou arrasado?, afirmou.Segundo a assessoria da CPTM, a apuração das causas do acidente deve sair em 15 dias. O presidente da companhia, o engenheiro Oliver Hossepian, nomeou uma comissão de sindicância formada pelos engenheiros Wilson Linder Vieira e João Alcala Junior, além do advogado Saint Claire Mora Junior, membro da Consultoria Jurídica da empresa, para acompanhar o caso.Eles deverão ouvir o depoimento de testemunhas e de empregados da CPTM, que terão o acompanhamento dos respectivos sindicatos. Além disso, a apuração contará com o resultado da perícia técnica que analisa as fitas de gravação velocimétrica, os sistemas de sinalização das vias, bem como os equipamentos de freio das duas composições que se chocaram.A assessoria informou que o transporte dos passageiros não deverá ser prejudicado pela falta das duas composições. Doze trens operam diariamente a linha Brás-Calmon Viana.O corpo de Paula foi enterrado às 16h30 no cemitério da Saudade, em São Miguel Paulista. Até a tarde de hoje, cinco pessoas continuavam hospitalizadas, porém nenhuma em estado grave.

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