CPUs de ministério inglês foram para Gana

O Brasil não é o único país em desenvolvimento a receber lixo proveniente do Reino Unido. Computadores descartados pelo Ministério de Defesa britânico foram encontrados em Gana, como apontou denúncia recente do jornal britânico The Times. A periferia de Acra, capital do país africano, se transformou em um depósito de lixo de produtos eletrônicos, resultado de comércio "encorajado em parte pelo Reino Unido", afirma a reportagem publicada. Trabalhadores do local afirmam que etiquetas de diversas empresas britânicas são vistas nos computadores já sem uso, fruto da rápida obsolescência das mercadorias. Ainda de acordo com a reportagem, crianças de apenas 5 anos de idade trabalham extraindo pedaços de metais dos itens eletrônicos. Com isso, acabam ficando expostas a produtos químicos prejudiciais à saúde. Além de computadores, televisores, geladeiras e micro-ondas também ficam amontoados no depósito, localizado no bairro de Agbogbloshie. O Ministério de Defesa britânico afirmou que os computadores foram encaminhados à autoridade responsável (a Disposal Services Authority), que os repassou para uma empresa especializada em tecnologia da informação. Então, os produtos foram vendidos a uma companhia do Reino Unido para poderem ser reaproveitados. "Para onde vão (os resíduos) quando estão nas mãos deles (das empresas) não tem nada a ver conosco", afirmou um porta-voz do Ministério da Defesa britânico. 15% DO LIXO EUROPEU Segundo o jornal The Independent, também britânico, o Reino Unido é responsável por 15% do lixo produzido pela União Europeia e cada britânico joga fora quatro mercadorias eletrônicas por ano. As ocorrências de envio de lixo para outros países estão fazendo o governo reavaliar a forma como exige o cumprimento de regras internacionais que proíbem a prática - como uma norma europeia que impede a exportação de lixo eletrônico. O ministro do Meio Ambiente britânico, Hilary Benn, já ordenou uma investigação sobre as cargas enviadas ao Brasil. Até agora, 89 contêineres chegaram ao País contendo 1,4 mil toneladas de materiais como fraldas e seringas.

Daniela Milanese, AGÊNCIA ESTADO, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

22 Julho 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.