Fabio Motta/AE
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Crânios humanos são encontrados no centro do Rio

Câmeras de monitoramento da Avenida Presidente Vargas podem auxiliar a identificar quem deixou os crânios na rua

Marcelo Gomes - Agência Estado,

11 Junho 2012 | 16h34

RIO DE JANEIRO - Quatro crânios humanos foram encontrados na manhã desta segunda-feira, 11, dentro de uma caixa de isopor abandonada na calçada em frente a um terreno baldio na Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio, a cerca de 300 metros do edifício-sede da prefeitura da cidade e do lado da quadra da escola de samba São Clemente.

Policiais militares do Batalhão de Choque isolaram o local até a chegada de peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). Após a perícia, os restos mortais foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML).

A delegada Renata Araújo, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, confirmou que se tratavam de crânios humanos. "Provavelmente são ossos de estudo". Há pelo menos duas faculdades particulares e um hospital público num raio de 300 metros do local onde estava o isopor.

O alerta à polícia foi dado pelo motorista Adalberto José de Santana, de 61 anos, que trabalha numa empresa de remoção de entulhos localizada próximo ao terreno baldio. "Quando vi os crânios, esperei uma viatura da PM passar e avisei os policiais. Fiquei impressionado. Nunca tinha visto uma situação dessa. Alguém desovou isso. É chocante", desabafou.

Câmeras de monitoramento do trânsito da Avenida Presidente Vargas podem auxiliar a polícia a identificar quem deixou os crânios em via pública. O responsável pode ser indiciado pelo crime de vilipêndio de cadáver, que prevê pena de um a três anos de prisão, além de multa.

Ex-chefe de Medicina Legal do Exército e perito legista aposentado da Polícia Civil do Rio, Levi Inimá de Miranda ressaltou que restos mortais nunca devem ser descartados em via pública. "Em caso de necessidade de descarte na cidade do Rio, o procedimento correto é comunicar à Santa Casa da Misericórdia, concessionária dos cemitérios públicos, para que sejam devidamente sepultados em cova comum."

Para ele, dificilmente os crânios foram retirados de alguma faculdade por causa da dificuldade de se conseguir corpos para estudo. "Outra possibilidade é que algum aluno tenha perdido os ossos, eventualmente pegos no laboratório de anatomia da faculdade. Os corpos doados para universidades são de indigentes, vítimas de mortes naturais, e não de crimes. Os ossos são íntegros, sem lesões e sem tecidos humanos, pois são tratados em formol. Se o IML detectar lesões (provocadas por pancadas ou tiros) ou a presença de tecidos humanos em putrefação nos crânios, provavelmente há crime".

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