Cresce a segregação social em São Paulo, constata pesquisa

A segregação social aumentou na região metropolitana de São Paulo na década de 90, com um maior distanciamento entre ricos e pobres, concluíram pesquisadores da PUC-SP e USP. Dados apresentados nesta terça-feira no ?Seminário Nacional Metrópoles ? Entre a coesão e a fragmentação, a cooperação e o conflito?, que acontece no Rio de Janeiro, mostram ainda que, das principais metrópoles brasileiras, a capital paulista é a que tem menor índice de subproletariado ? classe formada por ambulantes, biscateiros, empregados domésticos ?, junto com Porto Alegre e Curitiba.A capital gaúcha é a que apresenta a maior quantidade de operários proporcionalmente ao restante da população. ?As elites estão cada vez mais concentradas, enquanto as camadas médias estão crescendo, se espalhando pela metrópole: os que têm mais dinheiro moram nas áreas mais próximas dos centros e os que têm menos vivem mais perto da periferia?, afirma a pesquisadora Lúcia Bogus, da PUC-SP.As camadas médias são formadas pelos donos de pequenas lojas, bares e restaurantes, além de empregados de escritórios, da Justiça, técnicos, gerentes, supervisores e prestadores de serviço. ?São pessoas que perderam emprego, juntaram dinheiro e abriram pequenos negócios?, diz Lúcia.Os resultados mostram que São Paulo, Curitiba e Porto Alegre têm em sua população 8% de subproletariado (ou trabalhadores de sobrevivência), enquanto Belém, a que mais concentra essa camada, tem 17%. Os setores médios são os mais numéricos nas cidades estudadas (representam 25% do povo, em média), com exceção de Porto Alegre, enquanto em todas a proporção das elites é de apenas 1,5%, com tendência de queda. Em São Paulo foi verificada a diminuição da participação do operariado no total da população, por causa do fechamento do desemprego.Os pesquisadores se surpreenderam com o resultado do estudo em Porto Alegre: a capital gaúcha é a que tem maior proporção de operários do Brasil, superando a paulista, que aparece em segundo lugar. Isso se deve às fábricas de calçado, segundo Rosetta Mammarella, da Fundação de Economia e Estatísitca (FEE) do governo do Rio Grande do Sul. Lá, os operários correspondiam a 29% do povo, segundo dados de 1999. Os números devem cair, graças à automatização das empresas e à migração das indústrias para outras cidades.

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