Cresce denúncia de violência doméstica

Hoje, a Lei Maria da Penha, que aumentou o rigor das punições contra quem comete violência doméstica, completa três anos. Um balanço divulgado ontem pela Secretaria Especial de Políticas mostra que a sociedade está cada vez mais engajada na luta contra esse tipo de crime. Instrumento de denúncia, a Central de Atendimento à Mulher, o ligue 180, registrou 161.774 atendimentos, de janeiro a junho deste ano, um volume 32,36% maior que o registrado no mesmo período de 2008. "A população mudou de comportamento. Ela está encarando a agressão como um crime, de fato", diz Aparecida Gonçalves, subsecretária de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Quatro em cada dez brasileiros que conhecem uma mulher agredida tentam ajudar a vítima, segundo pesquisa realizada pelo Ibope e pelo Instituto Avon, no início de 2009. A ajuda nem sempre vem em forma de denúncia, mas também com orientação. "Isso ajuda a comprovar que o brasileiro está deixando de seguir um antigo ditado de que ?em briga de marido e mulher ninguém mete a colher?", diz Aparecida. São Paulo é o Estado campeão em denúncias, com 54.137 atendimentos, que equivalem a um terço do total nacional, de acordo com o relatório da secretaria. Em segundo lugar está o Rio, com 19.867 ligações, seguido por Minas, 11.056, e Bahia, 9.887. O último colocado, Roraima, aparece no ranking com 104 ligações. Apesar da evolução do panorama, ainda há muito por fazer. A qualidade do serviço prestado na delegacia é a principal queixa recebida pela Central de Atendimento à Mulher. "Muitos delegados ainda aconselham a mulher a não deixar o marido, dizem que é melhor com ele do que sem ele", diz a advogada Sônia Maria Nascimento, vice-presidente do Geledés Instituto da Mulher Negra. "É muito difícil convencer a vítima a ir à delegacia; e quando ela chega lá, não resolve nada." Se não bastassem a vergonha e a humilhação , a maioria das mulheres agredidas tem no máximo o ensino médio (55,5%), ou seja, pouca informação. "Muitas dependem financeiramente do marido", diz Sônia. "A agressão fez com que eu me isolasse cada vez mais na minha casa", conta a recepcionista Mônica Uchoa, de 40 anos, mãe de sete filhos, vítima de agressão do marido por 23 anos. "Acreditava que ele mudaria." A Lei Maria da Penha dá ferramentas para a formação de uma geração com outra mentalidade. "Meninas em idade escolar já falam da lei", comemora Aparecida.

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2009 | 00h00

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