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Cresce número de jovens que não estudam nem trabalham no País

22% da população entre 15 e 29 anos é inativa, segundo dados do IBGE; deste grupo, 14,4% sequer procuram emprego

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2016 | 10h00
Atualizado 02 de dezembro de 2016 | 23h41

RIO - Na última década, o número de brasileiros de 18 a 24 anos que não estudam nem trabalham, os chamados “nem nem”, cresceu no País, passando de 22,6% da população nessa faixa etária para 27,4%, ou seja, mais de um a cada quatro. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais 2016, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira, 2. 

Quando se amplia o grupo etário para 15 a 29 anos, observa-se que o porcentual dos que não trabalham, não estudam nem procuram trabalho passou de 12,8% para 14,4% de 2005 a 2015. Entre eles, há ainda os “nem nem nem nem”, aqueles que também não ajudam nos afazeres domésticos, incluindo aí os cuidados com os filhos. Eles chegaram a 23,8% em 2015. A Síntese de Indicadores Sociais é feita pelo IBGE desde 1998. 

A proporção dos chamados “nem nem” cresceu 2,5 pontos porcentuais em relação a 2014 (20%) e 2,8 frente a 2005 (19,7%). Apenas entre 2014 e 2015, mais de 1 milhão de pessoas entraram nesta categoria. Já os “nem nem nem nem”, calculados por uma tabulação especial com base nos dados do IBGE, eram 16,5% em 2005, ou seja, o aumento na década foi de 7,3 pontos porcentuais. 

São, em sua grande maioria, rapazes e homens adultos, uma vez que 91,6% da população feminina de 15 a 29 anos inativa e que não frequentava escola declarou ocupar-se das tarefas da casa. Os entrevistados homens admitiram não participar das tarefas de limpeza, cozinha e atenção aos filhos, ainda que tenham tempo livre. 

O motivo provável é a cultura machista arraigada na sociedade brasileira. “No caso dos ‘nem nem nem’, os motivos são estruturantes, independem da conjuntura econômica. Não varia ainda que o nível de ocupação diminua. Eles podem estar desencorajados diante do mercado, podem achar que não vão encontrar nada compatível com sua qualificação. Mesmo se o cenário melhorar, os porcentuais devem continuar parecidos em 2017”, avaliou a analista do IBGE Luanda Botelho.

Exemplos. No caso da carioca Paola Borges, de 24 anos, a inatividade é a contragosto. Ela se formou em Arquitetura há três meses e enfrenta o desemprego com o noivo, engenheiro. “Estou procurando emprego online, mas está bem difícil, por causa da crise. Tenho sorte porque moro com meus pais. Meu noivo estava prestando serviço em uma empresa e foi dispensado porque os projetos diminuíram. Quero sair de casa e morar com ele, mas só com os dois trabalhando”, lamentou Paola.

Quando se comparam homens e mulheres que trabalham fora, a persistência da sobrecarga sobre elas quanto aos afazeres domésticos fica clara. De 2005 a 2015, o número de horas semanais que os homens gastaram com esse tipo de atividade não se alterou: ficou em 10 horas. Já entre as mulheres o dispêndio de tempo é o dobro disso. Somada à jornada de trabalho fora, a jornada total semanal feminina é em média cinco horas maior.

Cangurus. A pesquisa verificou que os índices de gravidez na adolescência caíram 22,1% em dez anos. Outro dado foi quanto à chamada “geração canguru”, pessoas de 25 a 34 anos que continuam morando com os pais. Essa população parece não basear suas escolhas no cenário socioeconômico do País. Em 2004, representavam 21,7% dessa população; em 2015, 25,3%. São pessoas mais escolarizadas e que trabalham, em sua maioria, mas estendem a permanência com a família por ainda estarem concluindo os estudos, por acomodação ao padrão de vida dos pais ou por dependência emocional deles.

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