Cresce o número de indigentes no Rio, diz pesquisa

Nos últimos dez anos, o Rio experimentou crescimento econômico e a população teve mais acesso aos bens de consumo, mas a riqueza foi mal distribuída e o número de indigentes aumentou. A análise, baseada na comparação de dados do IBGE de 1991 e 2001, está no relatório Dez anos depois: como vai você, Rio de Janeiro?, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS).A publicação traz vinte artigos que analisam o que melhorou e piorou no Rio na última década. Integrantes de movimentos sociais, políticos, jornalistas e economistas que vivem na cidade refletiram sobre causas e conseqüências da violência, apontada como um dos maiores problemas da cidade, e concluíram que a solução só virá a longo prazo, caso as desigualdades sejam minimizadas.A mobilização da sociedade civil, com a criação de movimentos como o Viva Rio e o grupo cultural Afroreggae, é um dos pontos positivos destacados no relatório. Ambos surgiram em momentos da vida carioca em que a população estava revoltada com a violência - em 1993, houve dois casos chocantes: as chacinas da Candelária, quando oito crianças de rua foram mortas em frente à igreja, e da Favela Vigário Geral, que deixou 21 vítimas. Nos dois casos, os assassinos eram policiais. O documento mostra ainda que a taxa de homicídios por cem mil habitantes caiu na década - o que não significa que o carioca se sinta mais seguro. "O medo hoje talvez seja maior, porque a violência deixou de estar só nas favelas, está em toda a cidade. Houve aumento no gasto com segurança, mas não foi suficiente", acredita André Urani, presidente do IETS.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.