Cresce procura por apólice de seguro anti-seqüestro em SP

Uma apólice de seguro anti-seqüestro no valor de US$ 2 milhões a US$ 4 milhões pode custar US$ 200 mil por ano, conforme o fator de risco do segurado. O contrato, oferecido principalmente por seguradoras inglesas e bancos americanos, deve ser pago antecipadamente, de uma só vez e em moeda estrangeira.Ainda assim, nos últimos cinco dias - desde a libertação do publicitário Washington Olivetto -, a procura pela rara modalidade de serviço cresceu extraordinariamente. "Em 2001 a média de consultas originadas no Brasil era de três ao mês. Foi fechado apenas um negócio durante todo o ano. Mas, na segunda-feira, muitas pessoas procuraram os operadores. De manhã já estavam registrados dez contatos de dirigentes empresariais de São Paulo", relata Nigel Walker, analista da carteira de seguros da Bolsa de Londres.Para Nigel, que morou em São José dos Campos, a 100 quilômetros de São Paulo, durante cinco anos na década de 80, "a questão é peculiar: um executivo brasileiro de primeira linha, com funções de diretor, geralmente recebe por conta da companhia para a qual trabalha dois carros de luxo, o pagamento da escola dos filhos, manutenção da casa, viagens de férias no exterior, verba para comprar roupas e cartão de crédito corporativo. Parecem ricos".Os sinais exteriores de uma fortuna, "que não é dele, mas é decorrente do cargo que ocupa", transformam o profissional em alvo de seqüestradores, "e nesse momento a empresa acaba optando pelo seguro, operado por meio de normas rígidas", diz Walker. A primeira dessas regras estabelece que, em caso de captura, a seguradora conduzirá as negociações.A cotação do prêmio varia de acordo com o risco. O preço de São Paulo é tão alto quanto o de Bogotá, capital da Colômbia, onde a guerra civil dura 40 anos e a guerrilha realiza o que chama de pesca milagrosa. Nessa operação os rebeldes interditam um trecho de estrada e selecionam entre os ocupantes dos carros bloqueados as vítimas de seqüestro, levadas para campos na selva que chegam a abrigar até 300 reféns.As seguradoras reduzem a cara taxa anual se o contratante usar um carro blindado ou, ainda, se usar implantado na pele um chip eletrônico de localização. O artefato é semelhante a um grão de lentilha mais fino, com a consistência de filme fotográfico, emite sinais codificados que podem ser rastreados por satélite e por centrais montadas em furgões.A tecnologia é da americana ADS Systems que, embora não revele detalhes quanto ao limite da sensibilidade do equipamento garante que se estivesse "chipado" Olivetto teria sido localizado mesmo isolado no cubículo isolado acusticamente onde ficou por 53 dias na casa da Rua Kansas, na zona sul de São Paulo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.