Crescer na Câmara é prioridade de partidos

Isso é que definirá a força diante do novo governo, o tempo na TV e o fundo partidário

Denise Madueño / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

Em recesso, os deputados se dedicam às campanhas eleitorais. Dos 513 deputados, 421 (82%) tentarão a reeleição e 33 (6,43%) querem se tornar senadores. Enquanto 88,4% dos parlamentares correm atrás do voto, os partidos fixam metas ambiciosas na tentativa de eleger as maiores bancadas, porque isso definirá a força da legenda diante do novo governo.

O número de deputados eleitos e a quantidade de votos dados à legenda nas eleições para a Câmara definirão o tamanho dos partidos para efeito de distribuição proporcional do dinheiro do fundo partidário e do uso do horário eleitoral gratuito na TV. Essa distribuição valerá para os próximos quatro anos e são moedas fortes em alianças e composição como Planalto.

Antes mesmo de os votos caírem nas urnas, o PMDB e o PT estão convictos de que elegerão o próximo presidente da Câmara. Os candidatos já estão postos: Henrique Eduardo Alves (RN), caso o PMDB eleja a maior bancada, e Cândido Vaccarezza (SP), se o PT for o vencedor. O líder do PMDB, Henrique Alves, considera que o partido sairá na frente, elegendo de 95 a 100 deputados.

As eleições de 2006 elevaram o PMDB à posição de maior partido, com 89 deputados. Com o troca-troca de legendas, a bancada tem hoje 90 parlamentares na Câmara, o que o mantém na condição de maior partido. "O PMDB tem grande força nos Estados e muitos candidatos a governador, o que fortalece a formação das bancadas legislativas, mais do que provoca repercussão nacional", diz Henrique Alves.

Onda Lula. No PT, a intenção é aumentar a bancada atual de 79 deputados com mais 10 ou 15 eleitos. "Temos expectativa de um leve crescimento da bancada com base no trabalho que o PT vem fazendo no Congresso", avalia o petista Vaccarezza. "O fato de Lula ser filiado ao PT ajuda a bancada."

O deputado José Genoino (PT-SP) também considera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz a diferença quando o assunto é voto no partido. Com a popularidade alta, ter Lula como cabo eleitoral pode render os votos necessários para ultrapassar o aliado PMDB na Câmara.

"Recente pesquisa eleitoral mostra que o PT tem 28% da preferência nacional. O partido pode ficar maior do que o PMDB", afirma Genoino.

A entrada de Lula na campanha pelo voto no número 13 não é assunto fácil de ser tratado pelos partidos aliados. O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, diz que não há discussão sobre isso.

"No momento certo, o presidente fará campanha para os aliados", esquiva-se. A pretensão de evoluir na esteira do crescimento do País é disseminada entre as legendas da base do governo.

Com uma bancada de 27 deputados, o PSB calcula quase dobrar de tamanho nesta eleição. "Esperamos eleger de 40 a 50 deputados", diz o deputado Márcio França (PSB-SP), secretário nacional do partido.

O PSB aposta fichas no vereador de São Paulo Gabriel Chalita, candidato a uma vaga de deputado federal, para puxar mais votos para a legenda e eleger com ele mais parlamentares. França acredita que ele poderá ser o mais votado em São Paulo. Em 2006, o PSB em São Paulo elegeu quatro deputados. Agora, França calcula que serão dez. O partido também pôs como puxadores de votos os candidatos e ex-jogadores de futebol Marcelinho Carioca e Romário.

Nanicos. Os pequenos partidos também sonham com o crescimento. O deputado Regis Oliveira (SP) diz que o PSC aumentou de tamanho em São Paulo, elegendo prefeitos e vereadores, e o resultado será uma bancada na Câmara de 26 a 30 parlamentares. Hoje o PSC tem 16 deputados.

A meta do PC do B, partido com 12 deputados, é atingir uma bancada de 20, acreditando nos dividendos que podem resultar do crescimento da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, de quem é aliado.

Na contrapartida, a ex-deputada Jandira Feghali (RJ) e o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz (SP), responsável pela Operação Satiagraha, têm vaga certa na Câmara. Até o pequeno PHS, com uma bancada atual de três deputados, espera um crescimento avassalador. "No pior cenário vamos eleger 5 deputados e, no melhor, 9 deputados. Somos um partido emergente, não gostamos de ser nanico", diz o deputado Uldurico Pinto (BA).

PARA ENTENDER

O número de deputados federais eleitos define o tamanho legal do partido. 95% dos recursos do fundo partidário são divididos entre os partidos na proporção dos votos obtidos na eleição para a Câmara. Além disso, dois terços do tempo de TV no horário eleitoral são destinados proporcionalmente aos partidos de acordo com o número de deputados. No Congresso, a composição da Mesa Diretora também é proporcional ao tamanho das bancadas partidárias.

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