Criação de hotel popular gera protestos no Rio

O projeto do governo do Estado de criar um hotel popular no centro, com diária a R$ 1, está provocando protestos de moradores e lojistas da área. Eles são contra a extinção do 13º Batalhão da Polícia Militar, que dará lugar à hospedaria, e acreditam que o local será freqüentado por mendigos, o que, segundo eles, degradará a região.O objetivo do governo é hospedar os trabalhadores que pernoitam nas ruas do centro por falta de dinheiro para a condução de volta para casa. Pelo projeto, eles ganharão um kit de higiene pessoal, com pasta e escova de dente, além de toalha e lençol. Localizado na Praça Tiradentes, o hotel, de quatro andares, custará R$ 958.550,00. O Estado pretende inaugurá-lo em dezembro.O presidente da Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências, Roberto Cury, que tem uma loja perto do local onde será criado o hotel, disse que os comerciantes temem que os freqüentadores promovam assaltos e saques aos estabelecimentos da área. "O governo fala que será um hotel, mas no fundo funcionará como um albergue para mendigos. Já há gente com medo fechando as portas".O comerciante, que já teve a loja arrombada à noite, espalhou faixas pelo centro e recolheu três mil assinaturas contra o hotel. O abaixo-assinado foi entregue à Secretaria de Segurança Pública, que começará a desocupar o batalhão da PM no início de outubro. Na semana que vem, lojistas e moradores promoverão uma passeata. "Este batalhão está aqui há 38 anos e nos serve muito bem. Precisamos de proteção policial", disse Cury."A Secretaria de Segurança garantiu a permanência de um posto de policiamento comunitário ao lado da área do hotel, mas os comerciantes negaram. Eles estão sendo preconceituosos porque o local será freqüentado por pessoas pobres", disse o subsecretário de Estado de Ação Social, Ricardo Bittar. "Vamos hospedar trabalhadores, não mendigos. Queremos recuperar a auto-estima dessas pessoas." O governo garante que a área não será degradada.O hotel, que só funcionará durante a semana, será monitorado por um sistema de câmeras e a administração ficará a cargo da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis. Homens e mulheres dormirão em alas separadas, em quartos individuais - 107 leitos masculinos e 70 femininos. A diária terminará às 8 horas, com direito a café da manhã. O hóspede precisará apresentar documentos de identidade.

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