Criação de hotel popular no Rio provoca protestos

A tradicional Rua da Carioca, no centro do Rio, viveu nesta segunda-feira um dia incomum, com lojas semi-abertas e trânsito paralisado por 40 minutos.Cerca de 150 pessoas, entre comerciantes, moradores e estudantes, fecharam a via durante manifestação contra a construção de um hotel popular pelo Estado com diárias de R$ 1, onde hoje funciona o 13º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento da área.Segundo os manifestantes, sete lojas da região já fecharam por falta de segurança.O presidente da Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências (Sarca), Roberto Cury, afirmou que 10 mil pessoas já perderam seus empregos.Cury acredita que o hotel - que, segundo o Estado, abrigará trabalhadores que não têm dinheiro para voltar para casa no fim do dia - será um albergue para moradores de rua."Não somos contra a idéia. Só achamos que o hotel deveria ser no subúrbio, porque vai desvalorizar o centro."O comerciante fez um abaixo-assinado com 3 mil assinaturas, que foi entregue à Secretaria de Segurança do RJ, mas não obteve resposta.Procurado pela reportagem, o comandante geral da PM, coronel Wilton Soares Ribeiro, não foi encontrado.A Secretaria de Estado de Ação Social do RJ, idealizadora do projeto, garante que o hotel não funcionará como abrigo para mendigos. Será necessária apresentação de documentos para cadastro.Homens e mulheres dormirão em alas separadas. A diária terminará às 8 horas, com direito a café da manhã.Os hóspedes ganharão pasta e escova de dente, toalha e lençol. "Os comerciantes estão sendo preconceituosos. Não querem ser vizinhos de gente pobre", disse o subsecretário Ricardo Bittar.Maria João Gaio, diretora de uma escola que fica perto do batalhão, disse que o policiamento comunitário desenvolvido pelos 530 PMs fará falta. "São seis escolas na região. As crianças precisam de proteção."Cerca de 70 estudantes participaram do protesto. Ao fim do ato, houve um abraço simbólico ao batalhão. Um enorme bolo foi distribuído à população.

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