Criação de texto sobre Reforma aproximou líderes das duas igrejas

Após emendas, correções e ponderações, foi apresentado em 2013 o documento Do Conflito à Comunhão

José Maria Mayrink e Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2017 | 03h00

São 50 anos de conversa. O diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial começou em 1967, dois anos após o Concílio Vaticano II. E se intensificou em 2009, quando uma comissão de protestantes e católicos foi formada para escrever um texto conjunto sobre a Reforma. Várias sessões foram necessárias até que saísse um rascunho. Dezenas de emendas, correções e ponderações depois, foi apresentado em 2013 o documento Do Conflito à Comunhão. Para um dos membros da comissão, o próprio debate do texto aproximou altas instâncias dos dois lados, expondo e curando feridas.

O texto é visto como um marco por religiosos e historiadores, principalmente porque deixa espaço para que diferenças de 1517 possam ser superadas. Uma delas é a da salvação pela fé. Lutero sustentava que a salvação das almas dependia apenas da fé e as escrituras eram a única referência. A tese naquele momento afrontou a Santa Sé, que o obrigou a fugir após ser excomungado. 

Outro tema que contribuiu para afastar as duas igrejas, o da eucaristia, também dá sinais de cicatrização. O texto diz que “luteranos e católicos podem afirmar juntos a presença real de Jesus Cristo na ceia do Senhor”.

Ainda que alguns pontos do cisma estejam distantes de solução, como nos casos do ministério e dos sacramentos, o texto aponta que luteranos e católicos são convidados a buscar unidade e estudar etapas concretas para esse objetivo.

Em 31 de outubro de 1999, foi assinada em Augsburgo a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação. O papa João Paulo II aprovou a declaração e teve vários contatos com pastores luteranos. Seu sucessor, Bento XVI, visitou comunidades da Igreja Luterana e elogiou a fé de Lutero. Em 2010, foi ao convento agostiniano de Erfurt, onde o reformador morou. Em março de 2010, aceitou convite para rezar num templo da Igreja Evangélica Luterana de Roma.

Em 31 de outubro de 2016, o papa Francisco também participou de oração ecumênica na catedral luterana de Lund, na Suécia. “No contexto da comemoração comum da Reforma de 1517, temos nova oportunidade de acolher um percurso comum, que se foi configurando ao longo dos últimos 50 anos”, disse o papa, apesar das resistências na Santa Sé. 

Mais conteúdo sobre:
Igreja CatólicaIgreja Luterana

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.