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Criado na ditadura, bloco 'Nóis Sofre' se reinventa para a folia em Recife

Agremiação completa 39 anos fazendo críticas bem-humoradas no carnaval pernambucano

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

14 de fevereiro de 2015 | 18h32

RECIFE - Enquanto o Galo da Madrugada tomava os bairros de Santo Antonio e São José em um percurso de seis quilômetros, no vizinho bairro da Boa Vista, na Rua Sete de Setembro, o bloco "Nóis sofre mas nóis goza" foi às ruas pelo 39º carnaval, desfilando por um trecho de um quarteirão, fazendo a festa dos seus adeptos.

Criado em plena época de repressão política, em 1976, o Nóis Sofre nasceu da extinta livraria Livro Sete, gueto de intelectuais, jornalistas e artistas. Segundo o seu idealizador e organizador, o livreiro Tarcísio Pereira, com a abertura política o bloco se adaptou a outras frustrações do povo e continua firme, distribuindo animação.

"O Nóis sofre tem esse tom crítico e irreverente e é uma das coisas boas do carnaval do Recife", disse Plácido Júnior, integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), há 10 anos acompanhando o bloco. 

O professor universitário Daniel Rodrigues, gaúcho residente no Recife desde 1985, não perde a brincadeira desde então. Pré-candidato a reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ele observou que se a universidade  puder beber um pouco do criativo carnaval pernambucano, "vai cada vez mais mergulhar nas necessidades da sociedade".

O Nóis Sofre começou sua concentração por volta do meio dia e passou toda a tarde restrito ao pequeno trecho do seu desfile, com orquestra de frevo e foliões incansáveis.

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