Criança de 6 anos morre de febre maculosa em Piracicaba

O acesso ao câmpus da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba foi restringido por causa da morte do filho de um professor, vítima de febre maculosa. A doença é transmitida por picadas de carrapatos, comuns na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que tem área de matas, pastos e plantações. A unidade atende mais de 2 mil alunos, a maioria cursando ciências agrárias, que requerem estudos justamente nesses locais.A Esalq é também um importante espaço de lazer para os moradores da cidade nos fins de semana. O prefeito do câmpus, Marcos Vinícios Folegatti, determinou que só devem entrar nas áreas de mato ou no gramado as pessoas que precisarem desenvolver atividades de estudo ou pesquisa. Depois da confirmação do caso da doença, alunos, professores e funcionários começaram a usar roupas especiais para impedir o contato do carrapato com a pele.Segundo o responsável pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), Luiz Jacintho da Silva, a febre maculosa é uma doença rural e pouco freqüente, mas que está em expansão em São Paulo e Minas. Ela é causada por uma bactéria que pode estar presente no organismo de animais como cavalo, aves, boi, cachorro, capivara e outros. Eles propiciam a procriação de carrapatos, que - quando infectados - acabam transmitindo a doença para o homem. Técnicos da Sucen acreditam que o crescente números de capivaras no câmpus pode ter sido a causa da aparecimento da febre maculosa."A universidade não tinha como evitar a doença porque não existia nem recomendação no País de uso de roupas apropriadas para evitar o contato com o carrapato", diz Silva. De acordo com ele, desde 1985 foram identificados cerca de 60 casos no Estado e 25 deles resultaram em morte do paciente. A Esalq não divulgou o nome do professor de zootecnia nem do seu filho, de 6 anos, vítima da doença. A criança teria ido para o trabalho com o pai e sido picada por muitos carrapatos. A doença demorou para ser identificada e não houve tempo para um tratamento apropriado.DiagnósticoO infectologista da USP Marcos Boulos afirma que, muitas vezes, o diagnóstico é dificultado porque os médicos podem nem se lembrar da existência da febre maculosa. Assim acabam não receitando o antibiótico necessário. Além disso, muitos dos sintomas são comuns a outras doenças, como febre alta, dores no corpo, dores de cabeça e manchas na pele.No câmpus da USP e em toda a cidade de Piracicaba, a população e os médicos estão sendo alertados sobre o aparecimento da doença. "Vamos ainda fazer estudos para identificar o grau de infestação dos carrapatos para poder direcionar melhor as medidas preventivas", disse Folegatti. A pulverização de algumas áreas já foi programada. A unidade tem 850 hectares e uma comunidade de 3.800 pessoas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.