Criança é arremessada pela janela no Rio

Uma menina de 1 ano e dois meses foi arremessada do segundo andar de uma casa pelo namorado da mãe dela, na tarde de segunda-feira, na Ilha de Paquetá, zona norte do Rio. O caso aconteceu depois de a criança ter sido atendida no hospital da ilha com sinais de espancamento. Diogo de Souza Machado, de 18 anos, suspeito da agressão, invadiu o hospital e levou a criança da enfermaria. Cercado pela polícia na casa dos pais, jogou a menina de uma altura de 3 metros e fugiu. A criança sobreviveu. A mãe da criança, Lucilene, de 18 anos, contou à polícia que deixou a filha com o namorado. Ao voltar, encontrou a criança com hematomas no corpo. Machado disse, então, que a menina havia caído da escada. Lucilene levou a filha ao hospital, onde a criança ficou internada até ser levada por ele. Na casa da família, numa colônia de pescadores, o rapaz jogou a menina pela janela. A criança caiu sobre um telhado e foi amparada por uma mesa. Ao registrar o boletim de ocorrência na 37.ª Delegacia de Polícia (Ilha do Governador), Lucilene informou que a criança havia sofrido um sangramento vaginal em dezembro. "Ela disse que desconfiava do namorado, mas tinha medo de deixá-lo porque ele era muito violento", contou o capitão Lauro Amorim, responsável pelo policiamento em Paquetá. Laudo do Instituto Médico Legal indicou que a menina não foi vítima de violência sexual, mas tinha escoriações e ferimentos na cabeça, rosto, tronco, pernas e braços. O crime chocou a população da pequena ilha, famosa pela tranqüilidade. Os moradores chegaram a cercar a casa dos pais de Machado e ameaçaram invadir o local, depois que parentes tentaram impedir a entrada da polícia. "Tivemos de conter a população. Todos ficaram revoltados", contou Amorim, que também mora em Paquetá. Machado fugiu e se escondeu nas matas da ilha. Policiais com cães farejadores fizeram buscas até as 3 horas de ontem. A procura foi retomada pela manhã, mas até o fim da tarde ele não havia sido encontrado. "Ele tem histórico de violência e foi detido por envolvimento com drogas antes de completar 18 anos", contou o capitão Amorim. Amorim esteve com a criança logo depois da agressão. "Ela estava bem, mas assustada, e com muitas marcas no corpo e no rosto. Os olhos estavam roxinhos. Tenho filho dessa idade. É muito revoltante". A menina e a mãe pernoitaram num abrigo do Conselho Tutelar e, pela manhã, a criança foi entregue a avó paterna, depois de passar pelo exame de corpo delito. "A mãe não tem documentos e por isso não ficou com a criança. Não acredito que ela vá perder a guarda, mas será acionada pelo Ministério Público. É preciso ter diploma para tudo. Para mãe não precisa. É por isso que se vê tanta atrocidade. Ontem mesmo, havia um bebê de dois dias abandonado no abrigo", comentou a conselheira Cecília Cascais. O caso foi encaminhado para a Delegacia da Criança e Adolescente Vítimas (Decav), onde tanto a mãe quanto a criança receberão acompanhamento psicológico. "Acredito que a partir daí será mais fácil esclarecer o que vinha acontecendo", afirmou o delegado Luiz Lima, da 37.ª DP. Ele informou que Machado será indiciado por lesões corporais e, talvez, por tortura. "Isso dependerá ainda dos depoimentos que serão tomados".

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