Criança morre após ser trancada pelo pai em guarda-roupa

Para não ouvir o choro da filha Evelyn Leonel da Silva, de 10 meses, que atrapalhava seu sono, o servente Diego Leonel da Silva, de 22 anos, trancou a menina no guarda-roupa. No dia seguinte, a criança estava morta. O pai, acusado de homicídio culposo, foi preso. O crime ocorreu quinta-feira no Jardim Baronesa, bairro pobre da periferia de Sorocaba, no interior paulista.Silva contou à polícia que a filha tinha caído da cama e rolado para debaixo do colchão. Mas a mulher, Caroline Maria Vieira, de 21 anos, e outra filha do casal, de 5 anos, desmentiram a versão. Segundo a mulher, a criança tinha sido alimentada com uma mamadeira e colocada para dormir na cama da irmã, mas começou a chorar. Irritado, o servente, que está desempregado, mandou que ela pusesse o bebê no interior do guarda-roupa. Como a mãe se negou, ele levantou, enrolou a filha em um cobertor e a colocou dentro do móvel, trancando a porta. A menina ficou trancada até as 8 horas da manhã seguinte. Quando foi retirada, estava roxa e respirava com dificuldade. Mesmo assim, os pais só procuraram socorro médico depois do meio-dia. Quando a ambulância da prefeitura chegou, ela estava morta. O serviço de resgate do Corpo de Bombeiros também foi acionado, mas nada pôde fazer. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) e os pais, levados à Delegacia de Polícia para explicar a morte. "Ele inventou uma história fantasiosa, mas rapidamente verificamos que sequer havia espaço sob a cama para que a criança rolasse", disse o delegado Marcelo Carriel. Autuado em flagrante, Silva foi levado para o Centro de Detenção Provisória de Sorocaba. Ele já havia sido indiciado por furto e, segundo a mulher, é usuário de drogas. Caroline disse que não tirou o bebê do guarda-roupa por medo do marido, que a agredia com frequência. O delegado vai aguardar o laudo do IML para decidir se autua a mãe por omissão de socorro.

Agencia Estado,

23 de julho de 2004 | 18h21

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.