Criança some em incêndio que deixou 800 sem abrigo em favela

Menina de 1 ano foi deixada sozinha; bombeiros encontraram cadáver que pode ser dela

Lais Catassini, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 00h00

Um incêndio na Favela Alba, zona sul de São Paulo, na madrugada de ontem, deixou 800 pessoas desabrigadas. Uma menina de 1 ano está desaparecida. No início da tarde, a equipe de resgates do Corpo de Bombeiros localizou restos mortais carbonizados nos escombros de um barraco, mas não havia a confirmação se seria o corpo da menina Ingrid. No momento da tragédia, o bebê estava em casa sozinho, enquanto a mãe, Avelina Bárbara do Nascimento, de 36 anos, comprava crack e leite. Na volta, ela já encontrou o barraco em chamas.No 35º Distrito Policial, a mãe, desempregada, revelou à polícia ser viciada em crack há 20 anos. Vizinhos contaram que ela costumava deixar a criança sozinha em casa. "Era a minha filha que olhava a Ingrid sempre que a Avelina saía", contou Beverli de Souza, de 47 anos. Ela e outros moradores afirmaram que o incêndio começou no barraco de Avelina, por volta das 3h40. "Foi lá. Essa moça é uma irresponsável. Vai saber o que aconteceu na casa só com uma criança?", questionou catador de lixo Francisco dos Santos, de 47 anos.O delegado Enjolras Rello de Araujo disse que somente após a perícia a polícia poderá afirmar a causa do incêndio. "Por enquanto, não temos provas concretas contra Avelina", afirmou Araujo. Aos prantos, a mulher declarou cuidar bem da filha. "A assistência social tirou duas crianças de mim. Ingrid foi a única que ficou comigo." Mãe e filha sobreviviam de doações dos vizinhos.Na madrugada, os moradores acordaram com o estrondo de uma explosão e o barulho da madeira dos barracos queimando. Logo, as ruas ficaram cheias de pessoas que, desesperadas, tentavam salvar o pouco que tinham. O ajudante de pedreiro Renato Gonçalves, de 25 anos, conseguiu fazer uma mala, mas não tinha para onde ir. "Quando percebi o que estava acontecendo, peguei rapidinho meus documentos e uma muda de roupa. Saí correndo. Agora não sei o que vou fazer da vida."Para combater as chamas, 21 equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas. Líderes comunitários improvisaram abrigos e uma central de doações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.