ADJANA DANTAS
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'Criança surpreende pela facilidade de criar laços', diz mãe adotiva

Casal de Brasília adotou quatro irmãos de um só vez e ficou com seis filhos

Luísa Martins, O Estado de S. Paulo

09 Abril 2016 | 16h41

Todo dia ela e o marido fazem tudo sempre igual. O despertador toca às 5h30 e lembra que os próximos minutos serão uma maratona. São seis crianças para acordar, seis mochilas para preparar, seis cafés da manhã para dar, seis para acomodar na van, seis para levar à escola. 

Nada disso é um sacrifício porque foi quase tudo planejado. Depois de dois anos e meio na fila para adotar uma criança, a funcionária dos Correios Luciana Aragão recebeu a ligação da Vara da Infância e Juventude de Brasília. “Vocês querem conhecer um grupo de irmãos? São quatro, de 1, 3, 6 e 7 anos.” 

A afirmativa chamou a atenção dos profissionais do juizado. Se já é raro encontrar famílias que aceitem adotar em grupo, o fato se tornava ainda mais inusitado pela realidade de Luciana: ela já tinha um filho de 8 anos e estava grávida de outro.

Guilherme, o primogênito, havia anos manifestava o desejo de ter um irmão. Ganhou cinco: Gabriela, que nasceu meses depois, e Diego, Maria Luiza, Ana Isabele e Josiele, adotados em maio de 2014. “Mantivemos os nomes. Era a única coisa que eles tinham”, diz a mãe.

Luciana e o marido, Alessandro, não queriam adotar bebês: crianças mais velhas se ajustariam melhor ao ritmo da casa. E o temor da dificuldade em criar vínculos nem chegou a se instalar. No primeiro dia, Luciana virou “mãe” e Alessandro, “pai”. 

Guilherme foi peça-chave para a adaptação das crianças. “Ele e Diego se identificaram de imediato, o que para nós foi um presente. Crianças surpreendem a gente com a facilidade de criar laços”, diz Luciana.

Passado. Mas nem tudo foi tão fácil. O casal precisou trabalhar a compreensão de que, eventualmente, os filhos adotivos podem falar do passado, especialmente os mais velhos, que chegaram a conviver com a família biológica. “A família adotiva deve ser guardiã dessa história e estar disponível para conversar sobre o assunto com os filhos”, diz Niva Campos, da Vara da Infância e Juventude – conselho que Luciana e Alessandro pretendem seguir. 

Outro desafio foi recuperar o “tempo perdido” do aprendizado e dos estudos. Mesmo os filhos adotivos mais velhos chegaram sem saber o que era um telefone, uma televisão, uma padaria ou um carro. “Eles não sabiam diferenciar dia e noite”, lembra ela, atribuindo o atraso ao pouco estímulo intelectual feito pelas instituições de acolhimento. No novo lar, não tem moleza: fazer o dever de casa e estudar é prioridade na rotina. 

Luciana diz que já “encerrou a fábrica”. Se depender dos irmãos, os seis poderiam ser sete. “Guilherme e Diego já estão reivindicando mais um menino.”

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