Crianças criam um museu para o bairro de Higienópolis

A Praça Buenos Aires é de todos, sua história vamos hoje mostrar." Foi assim, com uma paródia à música de Caetano Veloso sobre outra praça, a Castro Alves em Salvador, que dezenas de crianças da Escola Carlitos lançaram o Museu de Bairro - Memórias e Vivências em Higienópolis. O evento reuniu alunos e pais, na manhã deste sábado na Praça Buenos Aires, no bairro de Higienópolis. Todos vestiam camisetas brancas com o logotipo do museu, um desenho que mostra pais, mães e filhos conversando, indo à escola e outras cenas do dia-a-dia. Segundo Bel Moniz, orientadora do ensino fundamental da Carlitos, os alunos - com idade entre cinco e 14 anos - prepararam diversos materiais que servissem de base para o museu. Fotos, desenhos e pinturas de autoria das crianças e adolescentes e que retratam o bairro deram forma a 20 painéis. Esses ficarão expostos na Buenos Aires por mais três dias e serão levados para a Praça Vilaboim. De lá, os painéis vão a outros espaços do bairro. A arquiteta Mila Giannini, de 40 anos, teve de subir em um dos bancos da praça para poder ver - e fotografar - a filha, de nove anos. Patricia Giannini Beyersdorf cantou São Paulo, do grupo Premeditando o Breque, além de Praça Buenos Aires, a versão adaptada de Praça Castro Alves. "Eles até já lançaram um livro chamado Um bairro chamado Higienópolis", fala a arquiteta sobre o envolvimento das crianças. Cada painel foi feito por uma série. Um deles representa uma trilha de Higienópolis em forma de jogo. Em outro, desenhos feitos pelas crianças de cinco anos viraram cartões-postais que cobrem o painel. A filha mais nova de Mila, Victoria, participou na elaboração desse. "Eles aprendem a escrever, a se comunicar e formas de comunicação, como o correio." Para retratar o bairro, as crianças da Escola Carlitos entrevistaram moradores, comerciantes e pessoas que freqüentam Higienópolis. E para captar os sons característicos da região, elas gravaram o canto de pássaros nas praças, o barulho dos ônibus que trafegam pela Avenida Angélica e o burburinho da feira na Praça Charles Miller. "Nós queremos compartilhar com vocês a alegria que foi trabalhar com estas crianças dentro da sala de aula", disse uma das professoras aos pais e mães na abertura do projeto. "O tempo passa e as lembranças vão ficar. É aqui nessa praça que o show vai começar", cantaram as crianças.

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